O ex-candidato presidencial Manuel Alegre afirmou nesta terça-feira que «o Governo já caiu» e que as eleições antecipadas são a solução, considerando que o primeiro-ministro, que acusa de «cegueira política» e «obstinação», está a «tentar encostar o CDS à parede».

«Há uma grande irresponsabilidade da parte dos dirigentes dos partidos da coligação. Daqueles que se demitiram e agora da parte do senhor primeiro-ministro que está a procurar passar a responsabilidade da queda do Governo para o CDS, está a tentar encostar o CDS à parede», disse Manuel Alegre à agência Lusa depois de Passos Coelho ter anunciado que não pediu a exoneração do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros apesar do pedido de demissão de Paulo Portas.

Na opinião do ex-candidato à Presidência da República «só há uma solução que é devolver a palavra ao povo», defendendo que Cavaco Silva «tem que exercer os seus poderes constitucionais, dissolvendo a Assembleia da República e convocando a realização de eleições antecipadas».

«Seria mais decente, seria mais claro e seria mais transparente que o senhor primeiro-ministro assumisse as suas próprias responsabilidades e depois da demissão do ministro Vítor Gaspar e do conteúdo da carta do ministro Vítor Gaspar e da demissão de Paulo Portas, ele concluísse que as condições de governabilidade tinham chegado ao fim e portanto apresentar a sua demissão», defendeu.

Na opinião de Manuel Alegre, «isto por um lado é cegueira política, por outro lado é obstinação».

«Isto não é sentido de Estado, é obstinação e é a tentativa de responsabilizar o Dr. Paulo Portas e o CDS pela eventual queda do Governo, que eu acho que é inevitável. Por muito que o Presidente da República se esforce por evitar o inevitável, a queda deste Governo já aconteceu, o Governo já caiu», observou.

Para o ex-dirigente socialista só há uma leitura possível: ¿é que já não há condições de manter esta coligação, já não há condições de governabilidade com estes dois partidos e portanto é preciso convocar eleições antecipadas.

«Das duas, uma: ou a demissão do Dr. Paulo Portas é a sério e então não pode considerar-se apenas como um ato individual de um ministro mas como um ato que envolve um partido de coligação, o CDS, e isso implica a queda do Governo. Senão é um faz de conta e isto é uma comédia trágica para o país», afirmou.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, apresentou hoje o seu pedido de demissão ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Paulo Portas refere, num comunicado, que a decisão é «irrevogável» e justifica-a com a discordância na escolha de Maria Luís Albuquerque para a pasta das Finanças, depois da saída de Vitor Gaspar, na segunda-feira.

Depois deste anúncio, numa comunicação ao país, o primeiro-ministro disse hoje que «seria precipitado aceitar o pedido de demissão» de Paulo Portas, pelo que não propôs a exoneração ao Presidente da República do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Na mesma declaração, Passos Coelho anunciou ainda que tenciona manter-se como primeiro-ministro.