O ex-candidato à Presidência da República Diogo Freitas do Amaral lamentou, esta quinta-feira, que o atual chefe do Estado esteja a exercer uma magistratura de influência de apoio a «um governo que comete muitos erros».

No dia em que Cavaco Silva completa três anos de mandato, Freitas do Amaral escusou-se inicialmente a fazer um balanço do mandato do Presidente - faltam dois anos «muito difíceis», disse -, mas criticou o que considerou ser o apoio de Cavaco Silva a um executivo que insiste em pedir «sacrifícios aos mesmos, aos mais pobres», não distribuindo equitativamente as medidas de austeridade.

«Eu não vejo sobretaxas sobre as grandes empresas, não vejo sobretaxas sobre as grandes fortunas, não vejo sobretaxas sobre os consumos de luxo», salientou o ex-candidato a Belém, após um almoço em São Pedro de Penaferrim promovido pelo atual presidente da Câmara, Basílio Horta, que juntou ainda dois ex-Chefes de Estado, Mário Soares e Jorge Sampaio.

O líder histórico e um dos fundadores do CDS criticou «a propaganda do Governo» e quem anda a lançar «os foguetes antes da festa».

Apesar de alguns indicadores económicos positivos, Freitas do Amaral considerou que «as melhorias são muito pequenas». «É como se uma pessoa estivesse com 40 de febre e se fizesse uma festa por passar para 39,8», comparou, pedindo, por isso, aos portugueses que nas próximas eleições saibam «aplicar o castigo justo» ao atual Governo.

Basílio Horta, eleito pelo PS para a autarquia sintrense, alinhou nas críticas a Cavaco Silva, considerando que «não tem sido o Presidente de quem mais sofre», acusando-o de ser «o porta-voz do Governo».

O também ex-candidato à Presidência da República, quando Freitas do Amaral liderava o CDS, lamentou que o Chefe de Estado esteja «demasiado colado a um Governo mau», que não tem sabido cortar na despesa.

O executivo de coligação PSD/CDS-PP, na opinião de Basílio Horta, devia «cortar 0,2 por cento ao orçamento dos ministérios em vez de sobrecarregar mais os reformados».

Também presentes no almoço - justificado por Basílio Horta como um agradecimento a «três sintrenses» ilustres que integraram a comissão de honra da sua candidatura vencedora à autarquia de Sintra -, Mário Soares e Jorge Sampaio recusaram fazer comentários sobre o desempenho do atual Presidente da República.