A coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins afirmou este sábado que o Governo quer dar «condições fiscais e remuneratórias» para atrair estrangeiros que nunca deu aos investigadores portugueses.

«O surrealismo tornou-se imagem de marca do Governo e não só por causa dos quadros do Miró. Ao mesmo tempo que Nuno Crato está a cortar na investigação e na ciência, o Governo diz que quer criar uns vistos-talento para atrair investigadores de outros países para Portugal. O Governo que mandou emigrar os investigadores e cientistas em Portugal, diz agora que quer dar condições fiscais e remuneratórias, que nunca deu a quem está no nosso país», criticou.

Catarina Martins, que participou numa Assembleia distrital de Setúbal, referiu que não existe espaço para que os investigadores e cientistas possam desenvolver a sua atividade «depois de todos os cortes».

«Não há nenhum universo de investigadores que possa vir para Portugal salvar a ciência ou a investigação, pois a ciência e a investigação não se podem fazer em Portugal», defendeu, numa ação que decorreu no concelho da Moita.

A coordenadora do Bloco de Esquerda insistiu nas críticas ao Governo e defendeu que o objetivo é ter todas as gerações mais qualificadas no norte da Europa.

«Existe um secretário de Estado deste Governo que diz que isto dos vistos de talento é como o mercado de futebol. Não percebo muito de futebol, mas já percebi que vão todos para a Alemanha e Holanda, ou seja, o norte da Europa a ficar com as gerações mais qualificadas, com o sul a perder a sua economia e as suas pessoas», salientou.

Catarina Martins abordou também o tema do pós-troika, considerando que todos os problemas que o país tinha se agravaram.

«Depois da troika ir embora são mais 15/20 anos a cortar salários, de precarização do trabalho, a cortar reformas e a desmantelar a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde. Não será de privatizações porque nessa altura nada irá existir para privatizar», concluiu.