O candidato nas primárias do PS, António Costa, disse que para ser alternativa «não basta ganhar», porque «quem ganha por poucochinho é capaz de poucochinho», num encontro em que apelou à mobilização e defendeu um debate com «elevação».

Depois de fazer críticas aos Governo de Pedro Passos Coelho, António Costa, que falava em Valongo num encontro com simpatizantes e militantes, afirmou que «a única alternativa é a que o PS pode gerar», mas que, para o «PS ser alternativa, não lhe basta ganhar».

«Eu sei que muitas vezes se diz que por um se ganha e por um se perde. É verdade, no futebol é assim. Na política não é assim. É que a diferença faz muita diferença, na política. É que quem ganha por poucochinho é capaz de poucochinho. E o que nós temos de fazer não é poucochinho. O que nós temos de fazer é uma grande mudança», disse.

António Costa pediu, por isso, que seja dada «força ao PS», para que consiga «dar força e mobilizar Portugal», introduzindo, desta forma, o tema das eleições primárias.

«Até 28 de setembro, temos de ir mobilizando os portugueses para podermos mudar o PS e, a partir da mudança do PS, podermos fazer a mudança em Portugal. Terça-feira vai começar o processo de recenseamento dos simpatizantes do PS. Temos de saber utilizar este momento como uma grande oportunidade de o PS se abrir e se alargar», disse António Costa.

O também presidente da câmara de Lisboa não deixou, no entanto, de aproveitar a oportunidade para recordar que teria preferido travar esta luta interna de outra forma, mas garantiu que não serão as opções da atual liderança do PS, referindo-se ao seu opositor nas primárias mas sem nunca referir o nome de António José Seguro, que o farão «desistir».

«É claro que o que nós queríamos era, tal como o PSOE [Partido espanhol] aqui ao lado fez, já pudéssemos votar amanhã na nova liderança. É pena mas não é isso que nos vai fazer desistir. Teria sido preferível com um congresso, mas também não é isso que nos vai fazer desistir. Que fique muito claro, não há nada que nos faça desistir», garantiu.

Costa pediu «elevação» no debate político interno no PS para que não se abram «feridas que amanhã sejam difíceis de sarar»: «É por isso que eu não tenho feito ataques pessoais, nem tenho respondido a ataques pessoais. Procuro mesmo não os ouvir, não vá depois não conseguir esquecer-me deles».

Antes, num período do discurso mais reservado a críticas ao Governo PSD/CDS-PP, o candidato às primárias socialistas sublinhou que «o PS não está disponível para ser substituto de um parceiro de coligação, mas a ambição do PS é mesmo de liderar a mudança e fazer um novo Governo que faça uma diferença relativamente ao Governo atual».

Em Valongo, esta tarde, discursaram vários apoiantes de António Costa, sobretudo ligados às estruturas locais, mas também subiu ao palco o ex-presidente da câmara do Porto, Fernando Gomes, o qual disse ter sofrido «um choque enorme na noite eleitoral [referindo-se às Europeias]».

«Quando esperava um ato de contrição, assisti a um triunfalismo, quando a mega-sondagem que representa as eleições Europeias punha em risco as legislativas. Houve uma onda de preocupação no país que António Costa interpretou muito bem», defendeu Fernando Gomes.

«António Costa é a nossa esperança. Não está a travar uma luta eleitoral seja contra que protagonista for. Está a representar os descontentes do PS. O processo começa um bocadinho ao contrário. Nós já sabemos que o António Costa já ganhou o país. Agora precisamos de o ajudar a ganhar o PS», acrescentou.