O secretário-geral do PCP condenou, esta sexta-feira, a declaração ao país do primeiro-ministro e o último Conselho de Ministros sobre a «saída limpa» do programa de assistência económico-financeiro, afirmando tratar-se dos «parabéns do agressor aos agredidos».

No debate quinzenal no Parlamento, Passos Coelho contrariou a tese, defendendo que o Governo PSD/CDS-PP foi o que mais foi «buscar aos ricos» e que «a verdade, verdadinha, é que, quando é preciso ir buscar o dinheirinho, há uns que prometem tudo e outros que realmente dão a cara».

«O que apresentou foi um balanço de contabilidade não fazendo um balanço da realidade dos últimos três anos. É tudo um êxito. Só pode ser para quem, com ligeireza, silencia o desemprego que atinge os jovens, tal como a emigração, o aumento do número de pobres, mais cerca de um milhão e meio», criticou Jerónimo de Sousa, sublinhando que «o país está mais injusto, mais atrasado, mais endividado e com menos independência».

O líder comunista acusou os membros do executivo de olharem «para a realidade com os olhos dos grandes banqueiros e do grande capital» e simulou alguma compaixão irónica: «Coitadinhos dos ricos, que foram tão explorados com impostos e conseguiram aumentar as suas fortunas.»

«Dirigindo-se aos profundamente fustigados, dizia 'parabéns aos portugueses'... Dê os parabéns a quem ganhou com a sua política. Eles não querem parabéns, queriam era que lhes devolvesse aquilo que lhe foi extorquido», lamentou o deputado do PCP, classificando a atitude do líder governamental como «os parabéns do agressor aos agredidos, com uma satisfação que demonstrou grande insensibilidade».

Passos Coelho garantiu que «os portugueses estiveram à beira do precipício em 2011 e que hoje não estão» e que «foi para defender as famílias e as empresas que o programa foi executado», ressalvando não ter sido o atual Governo a negociar os termos e condições do mesmo.

«Substituímos medidas e demos a cara por aquilo que era preciso fazer», assegurou.

O primeiro-ministro questionou o PCP sobre as suas opções criticando a «fórmula muito larga e pouco concisa de renegociar a dívida e ir buscar aos ricos».

O líder do executivo assegurou que se foi «buscar aos ricos aquilo que nenhum Governo fez ao longo dos anos», os quais «pagaram mais do que os outros todos».

Segundo Passos Coelho, «nenhum Governo que enfrentou circunstâncias como as que Portugal enfrentou tomou medidas que não afetassem salários e pensões. Foi assim em Portugal, Irlanda, Grécia, em todos os países que não têm possibilidades de se financiar no exterior».

Questionado por Jerónimo de Sousa sobre o facto de a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) ir tornar-se em «ordinária», ou seja, permanente, e de o Governo se preparar para «liquidar a contratação coletiva», em mais um «golpe nos rendimentos da função pública», Passos Coelho rejeitou tais hipóteses.

«As medidas mais duras que adotámos são transitórias. Vamos fazer reverter num prazo máximo de cinco anos as reduções salariais na função pública. Iremos desfazer o que foi feito num prazo de cinco anos», atestou, adiantando que «a contratação coletiva não será liquidada, mas antes dinamizada».

O deputado comunista aproveitou para reforçar que «o Governo diz uma coisa hoje e outra amanhã», terminando em registo irónico: «Não se pode dinamizar um morto.»