A eurodeputada Ana Gomes desvalorizou o anúncio de que o ministro da Defesa vai avançar com uma queixa-crime por difamação no âmbito do processo de subconcessão dos estaleiros de Viana, salientando que mantém «tudo o que disse».

«O senhor ministro faça o que entender, que eu vou fazer o que eu entender. Talvez essa queixa leve a que haja um inquérito na Assembleia da República e assim se faça uma verdadeira investigação a este processo muito nebuloso e pouco transparente de destruição dos estaleiros navais e da passagem dos ativos a uma empresa provada», afirmou Ana Gomes à agência Lusa.

Ana Gomes disse que mantém «tudo o que disse» sobre os estaleiros navais, reforçando que «é preciso fazer» uma investigação.

«O que eu disse é que é preciso investigar. O processo é tão contrário aos interesses nacionais, à doutrina europeia em matéria de segurança e defesa (...), tão pouco transparente com uma única empresa envolvida no processo e outra excluída por um e-mail que não terá chegado a tempo, segundo li na imprensa, que tem de haver uma investigação», sublinhou.

A eurodeputada lembrou que estão em causa os empregos de 600 trabalhadores, das suas famílias e de toda a atividade económica da zona de Viana do Castelo.

«Sabemos que há muitas indústrias que dependem da laboração dos estaleiros de Viana. Este Governo nem se dignou a disponibilizar os 3 milhões de euros que a empresa precisava para cumprir contrato com os asfalteiros para a Venezuela que viabilizariam a laboração da empresa», disse.

Na opinião de Ana Gomes, todo o processo é uma sucessão de «atos de má gestão, má política, de elementos perturbantes, destruidores dos interesses nacionais» e dos trabalhadores.

«Por isso, mantenho tudo o que disse: que é preciso investigar que tipo de interações estão por trás deste contrato e tudo o que seja no sentido desse investigação, incluindo a queixa-crime do ministro da Defesa, é bem-vindo», salientou.

Questionada sobre o anúncio do presidente da Martifer, Carlos Martins, de que serão criados 1.000 postos de trabalho num prazo de cinco anos com os novos contratos que está a desenvolver na América Latina e no norte de África, Ana Gomes disse que «estas afirmações não garantem condições idênticas» às que os trabalhadores tinham.

«Mesmo que os trabalhadores ou parte deles sejam contratados, não há garantias de que daí resultem as mesmas condições contratuais de anos e anos de serviços que muitos deles têm», disse.

Para Ana Gomes, as declarações de «Carlos Martins ou de quem quer que seja da empresa privada valem o que valem».

«Nós sabemos que a empresa não tem especial competência na gestão de estaleiros deste tipo como não tem também ativos financeiros visto que estar ela própria deficitária e para o Estado o contrato é ruinoso», disse.