O ministro da Defesa Nacional, Aguiar-Branco, condenou esta quarta-feira os «velhos do Restelo» herdeiros da «tradição carpideira», numa crítica à conferência que reuniu na Aula Magna várias personalidades em defesa da Constituição.

«Muitos daqueles que na semana passada se sentaram na Aula Magna foram um dia os mesmos que acreditaram poder mudar o mundo com as ideias à data revolucionárias e inovadoras e conseguiram. Fizeram-no contra os seus próprios velhos do Restelo provando que na nossa cultura não há um sem o outro, não há mudança sem pessimismo», afirmou.

O ministro, que discursava na cerimónia de abertura do ano letivo no Instituto de Estudos Superiores Militares, Lisboa, apontou a dicotomia entre os «herdeiros da tradição carpideira» e os que «se afirmam na linhagem dos que acreditam que é possível passar para lá do Bojador».

Os primeiros, disse, «procuram problemas e alimentam-se de problemas», sendo «especialistas em explicar o que não se pode mudar, o que não se pode fazer».

Do outro lado, observou, está «o espírito reformista que é a mola dinâmica do desenvolvimento das sociedades».

«O que une o poema quinhentista aos dias de hoje é a entoação do discurso do velho do Restelo. Mudam as palavras mas repete-se o tom sério, grave e pomposo para alertar o néscio povo de que querem acabar com o Estado Social ou de que é preciso defender a Constituição», criticou Aguiar-Branco.

Segundo o ministro da Defesa Nacional, o país vive «permanentemente nesta contradição» e ainda hoje a «opção pertinente é tantas vezes colocada»: «Vivermos prisioneiros das esconjuras do velho ou fazer o que todos sabemos estar certo fazer.»

«Acusam-nos alguns de querer mudar o país por decreto mas não há nenhuma reforma que aconteça por via de um simples papel assinado. O país mudou, a sociedade mudou», defendeu.

Para Aguiar-Branco, a atual geração de portugueses «é a geração que se sacrifica para que a próxima não tenha de passar pelo mesmo».

O ex-presidente da República Mário Soares, Helena Roseta, general Pinto Ramalho, Marisa Matias, Carlos do Carmo, Ruben de Carvalho foram algumas das personalidades da área da esquerda que se reuniram na Aula Magna, Lisboa, à qual também compareceu o social-democrata Pacheco Pereira, um dos mais aplaudidos.