PS, PSD, CDS-PP e PCP destacaram esta terça-feira os esforços do presidente angolano José Eduardo dos Santos na consolidação da democracia naquele país e congratularam-se com o aprofundamento das relações entre Portugal e Angola, refere a Lusa.

José Eduardo dos Santos foi hoje recebido pelo presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, e pelos líderes dos grupos parlamentares, num «encontro de boas-vindas» ao presidente angolano na sua primeira visita de Estado a Portugal.

O Bloco de Esquerda, que recusou participar no encontro, acabou por ficar isolado nas críticas à «falta de democracia» em Angola, com os restantes partidos a valorizar os esforços do presidente angolano para a paz e para a democracia.

Em declarações aos jornalistas, o deputado do BE João Semedo criticou a «perseguição política, violação dos direitos humanos e de liberdade de imprensa» em Angola, sublinhando que aquele país tem «o mesmo presidente da República há 30 anos».

Por seu lado, o líder parlamentar socialista, Alberto Martins, considerou Angola está «no bom caminho e vive um aprofundamento da democracia» e saudou as «relações de proximidade e históricas» entre os dois países.

«Não há limites para o aprofundamento da democracia, os portugueses estão satisfeitos com a evolução de Angola e o futuro é de esperança», acrescentou Alberto Martins, destacando que «a esmagadora maioria» dos partidos esteve presente no encontro.

O vice-presidente da Assembleia da República e deputado do PS Manuel Alegre sublinhou que o presidente angolano «fez a paz» e «abriu caminho para a democracia», possibilitando dessa forma «novas janelas» nas relações entre Portugal e Angola.

Alegre disse não partilhar das críticas feitas pelo BE e disse que Eduardo dos Santos, que disse representar o «fundador de uma Angola nova», tem feito caminho para a democracia.

«Dom Afonso Henriques também não era um democrata exemplar», disse, elogiando o papel de Eduardo dos Santos na «preservação da unidade do Estado angolano».

O líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, destacou que tem havido «uma abertura gradual, democrática, para a transição para a democracia» após anos de guerra em que «há sempre suspensão de direitos».

«Não se chegou ao grau satisfatório de garantias democráticas mas está-se a fazer o caminho. Em vez de sinais de ruptura, devemos dar apoio a quem está a fazer esse esforço de construção», defendeu Paulo Rangel, em declarações aos jornalistas.

Do lado do PCP, o líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, considerou que a visita «é muito importante para Portugal», que mantém «relações muito intensas» e de «grande amizade» com Angola.

Recusando comentar a posição do BE, Bernardino Soares destacou que «o povo angolano é que é soberano para decidir o seu futuro» e que nas últimas eleições ¿ legislativas ¿ os observadores internacionais assistiram «a uma festa da democracia».

Do lado do CDS-PP, o líder parlamentar Diogo Feyo considerou que a visita «assume grande relevância» tendo em conta o número de portugueses que residem em Angola, a partilha de uma língua comum e «o movimento empresarial» entre os dois países.