O primeiro-ministro voltou esta quarta-feira a garantir que o Governo não deu qualquer indicação à PT com vista à entrada da operadora no capital da Média Capital, dona da TVI.

No debate que decorre no Parlamento, sobre o Orçamento do Estado para 2010, José Sócrates voltou a afirmar que «nunca o Governo fez uma iniciativa no sentido de recomendar que a PT comprasse a TVI, nem através do Dr. Henrique Granadeiro, nem através de nenhum outro administrador».

De acordo com o chefe do Governo, o executivo está «muito aberto a discutir toda a matéria».

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Sócrates garantiu ainda que, quando esteve pela primeira vez no Parlamento a falar sobre o assunto, não tinha ainda recebido da PT qualquer comunicação sobre o interesse na PT.

Bloco dissocia inquérito ao caso TVI das escutas a Sócrates

O Bloco de Esquerda voltou esta quarta-feira a insistir na criação de uma Comissão de Inquérito à eventual intervenção política na tentativa de compra da TVI pela PT. Mas o partido quer dissociar esta investigação das escutas que envolvem o primeiro-ministro, publicadas pelo semanário «Sol».

Francisco Louçã começou por condenar as palavras de Paulo Rangel no Parlamento Europeu, onde afirmou que o Estado de Direito em Portugal lançou o tema das escutas, dizendo que o Bloco «não aceita a degradação da Justiça nem o apelo para transformar a justiça num comissariado político».

«Sabemos que há gente que quer conhecer as escutas», adiantou ainda Francisco Louçã, repetindo que, para o BE, «as escutas ou servem à justiça ou não servem a ninguém».

Mesmo sem as escutas, Louçã considera que a Comissão de Inquérito ao caso da TVI é «essencial na clareza da democracia».

«Registo aquilo que disse sobre a matéria da justiça. É o primeiro líder político, depois de mim, a sublinhá-lo. Lamento que ninguém em Portugal tenha dito o que o senhor e eu dissemos», afirmou José Sócrates na resposta, lamentando ainda o aproveitamento político que alguns partidos fizeram da matéria.