O PS defendeu esta quarta-feira que a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, «deve um pedido de desculpas aos portugueses» depois de ter voltado «a apelar explicitamente à emigração» de jovens licenciados desempregados.

«É insultuoso que um membro do Governo volte a apelar explicitamente à emigração de jovens desempregados (…) A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, deve um pedido de desculpas aos portugueses, aos que estão no país e aos milhões que vivem no estrangeiro porque lhes foi negada uma vida decente em Portugal», afirmou Paulo Pisco, deputado do PS eleito pelo círculo da Europa, em comunicado enviado à Lusa.

Maria Luís Albuquerque afirmou a 28 de fevereiro, em Mirandela, no lançamento de um livro de um eurodeputado do PSD: «Temos de encarar de uma forma mais relativizada aquilo que é o fenómeno da movimentação dos jovens à procura de oportunidades por esse mundo fora. Hoje um jovem que acaba uma licenciatura tem um mundo à sua disposição».

As declarações da ministra são, para Paulo Pisco, «a prova de que o apelo à emigração sempre fez parte da doutrina do Governo».

«Nunca é demais recordar que o próprio Passos Coelho apelou à emigração e que um eurodeputado do PSD, Paulo Rangel, até chegou a defender a criação de uma agência nacional para a emigração.».


Segundo o deputado socialista, «quando a ministra das Finanças apela à emigração de jovens diplomados, nem sequer lhe passa pela cabeça que o destino de muitos é acabarem em trabalhos indiferenciados ou sem qualquer relação com a sua formação, o que é uma tremenda frustração do ponto de vista pessoal e um enorme desperdício de recursos a nível nacional».

Paulo Pisco criticou o Governo por, agindo «com a maior das ligeirezas», parecer «nem se dar conta de que a emigração é sempre a maior evidência do fracasso de uma sociedade que não consegue criar oportunidades para os seus cidadãos, obrigando-os a partir sem saberem aquilo que o futuro lhes reserva».

«Nem tão pouco se preocupa com o gravíssimo problema demográfico que o país atravessa e que a emigração de jovens só agrava», prosseguiu, acrescentando que «só um Governo sem alma nem sentido da história, que ignora a ferida ainda aberta da dramática emigração dos anos 1960 e 1970, pode fazer da emigração um desígnio nacional, o que revela bem o desprezo que tem pelos portugueses».

«A ministra das Finanças e o Governo devem um pedido de desculpas aos portugueses», insistiu o deputado socialista.