A troca de acusações entre socialistas e membros do Governo está a subir de tom. O tema da discórdia é a emigração. Desta vez, o PS diz que o ministro Poiares Maduro confirma que o primeiro-ministro "mentiu" sobre a evolução da emigração em Portugal. 

"Parece que o ministro Poiares Maduro já se esqueceu quando este Governo começou e que a responsabilidade por metade de 2011 é deste Governo. É verdade que nessa altura Poiares Maduro se chamava Relvas, mas isso não é culpa dos portugueses", declarou esta segunda-feira Porfírio Silva, membro do Secretariado Nacional do PS. 

O ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional tinha acusado, antes, o secretário-geral do PS de "falta de honestidade intelectual e política" quando António Costa afirmou que a  emigração em Portugal aumentou 126%, entre 2010 e 2013. 

"O dr. António Costa tem razão num ponto: a questão é fundamentalmente de caráter e de honestidade intelectual e política. O dr. António Costa veio dizer que o primeiro-ministro tinha faltado à verdade sobre os números da emigração, mas para o fazer usou números da emigração permanente do INE de 2010 para 2014, dizendo que, durante esse período, tinha aumentado 125%. Esqueceu-se foi de dizer que desses 125%, praticamente 100% foram de 2010 para 2011, ou seja, ainda durante o governo socialista", de José Sócrates, afirmou Poiares Maduro. 

Ora, Porfírio Silva vem agora reagir a tais afirmações feitas pelo ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, 
dizendo que, nesse período 2010/2011, é a partir do último semestre de 2011, já com Passos Coelho nas funções de primeiro-ministro, que terá ocorrido o maior aumento da emigração.

"Na passada sexta-feira, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, mentiu no parlamento sobre a questão da emigração. Não pode ser dito de outra maneira. Hoje, o ministro Miguel Poiares tentou defender Passos Coelho, mas, na realidade, reconheceu que o primeiro-ministro mentiu, o que demonstra que já nem os ministros conseguem defender a palavra do primeiro-ministro"


Segundo Porfírio Silva, na realidade, "a emigração em Portugal foi mais gravosa do que em outros países europeus sob processo de ajustamento" e 2011 "foi um ano terrível para o emprego dos portugueses".

"A comparação entre 2010 e 2011 parece que atrapalhou o ministro adjunto Poiares Maduro que então se chamava [Miguel] Relvas, mas os primeiros efeitos das brutais medidas tomadas por este Governo registaram-se no fim do ano de 2011", insistiu.

"Dos 170 mil empregos destruídos em 2011, no primeiro ano de mandato [do executivo] de Pedro Passos Coelho, 160 mil foram destruídos no segundo semestre do ano, em pleno Governo PSD/CDS. Desses 160 mil, 130 mil foram destruídos já no último trimestre. Esta brutal queda do emprego, que se refletiu nas primeiras políticas do Governo de Passos Coelho, tem muito a ver com a evolução da emigração", defendeu ainda o dirigente socialista, em declarações à agência Lusa. 

O socialista repartiu, por períodos, a evolução temporária e permanente da emigração ao longo da última legislatura: em 2011 "mais de 100 mil emigrantes, em 2012 mais de 120 mil, em 2013 mais de 128 mil emigrantes e em 2014 mais de 134 mil emigrantes".

"Numa só legislatura temos mais de meio milhão de emigrantes em Portugal e com isto não se brinca. O ministro Poiares Maduro, que nem sequer consegue defender as mentiras de Passos Coelho, não pode tentar iludir esta realidade"