A presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, incentivou hoje os jovens a apostarem na formação pessoal e a irem «lá para fora» acumular experiência para depois regressarem e enriquecerem Portugal.

«Gastem o vosso tempo a procurar uma formação pessoal tão forte, tão intensa, tão exigente quanto possível. Vão lá para fora, mas regressem», disse Leonor Beleza, perante os 100 alunos que este ano estão a participar na Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide até domingo.

Ressalvando que, ao dizer para os jovens irem «lá para fora» não está a dizer para emigrarem, a antiga ministra da Saúde do Governo de Cavaco Silva, aconselhou os mais novos a irem para o estrangeiro estudar e trabalhar.

«Quando eu digo vão lá para fora não estou a dizer emigrem, não é isso que eu estou a dizer. Vão lá para fora estudar, vão lá para fora trabalhar, vão lá para fora ter experiências, voltem e enriqueçam o nosso país com essas experiências, aproveitem o tempo em que são mais jovens, tenham uma atividade profissional reconhecida, importante nas vossas vidas», sublinhou, incentivado igualmente os jovens a fazer política, porque Portugal precisa «como de pão para a boca" de «ter gente reconhecida, gente com reputação que faça política».

Minutos mais tarde, Leonor Beleza voltou à ideia, clarificando a mensagem: «não vos resignem a sentir que é lá fora só que está a nossa realização, que é lá fora só que, porventura, podemos encontrar uma saída».

«É aqui e está muito mais nas vossas mãos aquilo que vamos ser daqui a dez anos», acrescentou.

Na sua intervenção no jantar da Universidade de Verão do PSD, Leonor Beleza falou ainda nos jovens que integram o Governo, confessando ter sido «com enorme satisfação» que viu chegarem ao executivo «pessoas jovens» que não sabe quem são.

«Eu não tenho que saber, eu sinto uma enorme satisfação por ver que pessoas jovens com quem eu não me cruzei nos meus anos todos de política são chamadas a desempenhar funções extremamente relevantes para o nosso país e que têm muitas delas excelentes qualidades e que querem pô-las ao serviço do nosso país», afirmou.

Antes de centrar o discurso na Fundação Champalimaud, a antiga ministra da Saúde fez ainda alusão ao «período extraordinariamente difícil, talvez o mais difícil desde o 25 de Abril» que o país atravessa, aproveitando para lembrar a segunda intervenção do Fundo Monetário Internacional em Portugal, quando era secretária de Estado da Segurança Social, da década de 80.

«Quem passou por aquilo dizia nunca mais vai acontecer, vamos ficar vacinados, não vamos voltar a colocar-nos numa situação em que isto vai acontecer», recordou.

Porém, continuou, hoje Portugal está «num momento perigoso», não apenas por causa do processo de ajustamento e por aquilo que os portugueses estão a sofrer e a suportar em virtude dele, «mas porque ele está a custar em prestígio e em reputação um «preço altíssimo».

Por isso, acrescentou, é preciso fazer «um esforço enorme» para ultrapassar a situação atual «num tempo que faça sentido».

«Uma das coisas mais importantes neste momento é que aqueles que se dedicam à política o façam de uma maneira empenhada, de uma maneira clara, límpida e que gastem uma parte importante do seu esforço a tornar reconhecidamente mais nobre e valendo a pena a intervenção na esfera política», pediu ainda Leonor Beleza.