O militante do PS em Coimbra Elísio Estanque anunciou esta quarta-feira que não aceita a suspensão deliberada pelo partido, mas a Comissão Federativa Jurisdicional considera que os estatutos são claros para quem concorre em listas contrárias.

Em carta enviada à Comissão de Jurisdicional, a que a agência Lusa teve acesso, o militante socialista recusa-se a «aceitar qualquer indulgência por parte dos "acusadores", esperando que levem este processo até às últimas consequências».

«Ou, caso contrário, exijo um pedido formal de desculpas da parte de quem o iniciou», escreveu.

Militante desde 1994, Elísio Estanque considera o processo de que é alvo - suspensão com proposta de expulsão à Comissão Nacional de Jurisdição - «persecutório, injusto e atentatório das liberdades democráticas dos militantes, contrariando toda a prática de tolerância e pluralismo que até agora fez parte da história do Partido Socialista».

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Comissão Federativa Jurisdicional, Tiago Castelo Branco, disse que os estatutos e regulamentos são claros para quem integra listas contrárias à do partido.

Nas últimas autárquicas em Coimbra, o professor universitário Elísio Estanque integrou a lista do movimento de independentes «Cidadãos por Coimbra», que concorreu contra a lista socialista encabeçada por Manuel Machado, eleito presidente da Câmara Municipal.

«É uma situação pública e que não deixa dúvidas. O militante não pode alegar desconhecimento das consequências de militância, pois os estatutos são clarinhos como a água», sublinhou Tiago Castelo Branco.

O presidente da Comissão Federativa Jurisdicional acrescentou ainda que as pessoas «são livres de apoiar e integrar as listas que bem entendem, mas antes têm de ter a hombridade de entregar o cartão de militante».