A eurodeputada socialista Elisa Ferreira insurgiu-se esta terça-feira, em Estrasburgo, contra a posição da direita parlamentar quanto ao seu relatório sobre o plano de relançamento da economia europeia, por tentar inviabilizar uma referência à necessidade de combater os «off-shores», avança a agência Lusa.

Esta quarta-feira, a assembleia de Estrasburgo vai debater e votar a posição do Parlamento Europeu sobre o plano de relançamento da economia europeia proposto pela Comissão Europeia em Janeiro passado, para fazer face à crise financeira e económica, com base num relatório da Comissão Parlamentar dos Assuntos Económicos e Monetários, elaborado por Elisa Ferreira.

Em declarações esta terça-feira à Agência Lusa, a deputada portuguesa apontou que «curiosamente a direita parlamentar obrigou a eliminar do texto do relatório uma referência explícita à necessidade de combater os paraísos fiscais», ou «off-shores», quando, entretanto, já o próprio presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente norte-americano, Barack Obama, «já todos falaram disso».

Revelando que quarta-feira vai «recolocar o parágrafo que se refere aos paraísos fiscais, no plenário», Elisa Ferreira disse que «será estranho que a direita do Parlamento vote contra a identificação dos paraísos fiscais como algo que só pode ser atacado numa perspectiva global e que é absolutamente urgente que seja regulado».

Se tal acontecer, disse, «também se terá de tirar consequências políticas», já que «as pessoas quando vão votar para o Parlamento Europeu às vezes pensam que é a mesma coisa votar à esquerda ou à direita (...) e votar à direita dá origem a coisas como esta, que são completamente incompreensíveis».

«Não faz sentido que se esteja a exigir esforços a toda a gente, empresas e cidadãos, e as grandes operações passarem todas pelos paraísos fiscais», disse, reforçando que esta é uma questão óbvia e daí ser «estranho» que continue a suscitar debate no Parlamento Europeu, quando a Europa deveria assumir uma posição central neste dossier, em vésperas da reunião do G-20.

Combate aos paraísos fiscais

Elisa Ferreira apontou que o seu relatório, todavia, não se esgota nesta questão do combate aos paraísos fiscais, apontando como grandes linhas do texto a necessidade de colocar o emprego no centro do plano de relançamento, de articular os diversos planos nacionais, assegurando que países com menos instrumentos e poder económico - como é o caso de Portugal - não fiquem excluídos, e começar a adoptar medidas para a regulação dos mercados financeiros.

Na semana passada, em Bruxelas, Durão Barroso defendeu a criação de «sanções muito fortes» contra os «offshores» que não cooperam com as autoridades internacionais de supervisão, sustentando que «não deve haver nenhuma entidade financeira que escape à regulação financeira, nem na Europa nem no resto do Mundo».

Durão Barroso afirmou na ocasião que «partilhava» a afirmação feita em Bruxelas a 01 de Março pelo ministro das Finanças português, Fernando Teixeira dos Santos, que «o ideal era não haver nenhum off-shore».