O vento está de feição para navegar. Mesmo que seja pela pacata ria de Aveiro, em que o moliceiro corre gentil, sem que haja necessidade de ajuda. Passos Coelho também não parece estar em “esforço” mesmo que a campanha exija muito de todos os candidatos que concorrem a uma eleição legislativa.
 
Aparece fresco pela manhã, esta sexta-feira, ao sétimo dia de campanha, no porto dos moliceiros, em Aveiro. E mal está a bordo, aproveita o ambiente descontraído – e o número reduzido de repórteres de imagem, que irão mais tarde juntar-se à viagem – para fazer um trocadilho:
 

“Estou à espera que a onda colossal nos leve a navegar pela Ria de Aveiro”.

 
A "Onda Colossal" é o nome da empresa que opera os moliceiros, e os trabalhadores têm camisolas identificadas. Ora é mesmo de ondas que Passos Coelho tem estado à espera para pedir, claramente, uma maioria absoluta.

Não foi ontem em Vila Real, terra que o viu crescer, será hoje em Santa Maria da Feira, no Europarque: será galvanizado pelos 5 mil apoiantes esperados para o comício.

Fonte diz à TVI24 que o número – dos tais 5 mil – continua a crescer, mas já estão alugadas várias naves do complexo.

Mas Passos será também embalado pela boa notícia para os contribuintes que quererá anunciar esta sexta-feira: a TVI sabe que a devolução da sobretaxa de IRS vai ficar acima dos inicialmente previstos 25%. É que a execução orçamental dos primeiros oito meses, conhecida hoje, mostra um crescimento da receita fiscal acima do previsto no orçamento.

Informação que o primeiro-ministro já tinha ontem mas a Direção-Geral do Orçamento só mostraria os dados hoje, e Passos Coelho esperou; e esperou porque o cenário desta noite é perfeito para pedir uma maioria absoluta, sobretudo oferecendo aos sacrificados contribuintes um pouco mais do que estavam à espera.

Mas em Aveiro, Passos Coelho passeou pelo centro, rodeado de militantes, nacionais e da estrutura local, mas isso não evitou que um transeunte gritasse "ladrões", sendo rapidamente rodeado por apoiantes e seguranças que abafavam os insultos. Mas as críticas sem injúrias são sempre bem acolhidas: depois da senhora de cor-de-rosa, o rapaz de azul. Miguel quis saber tudo sobre a carga fiscal e as políticas de emigração. Porque, garante, "a mensagem não se entende, não passa, é tudo demasiado confuso, e as pessoas querem saber".

Foi ter ao centro a meio do dia de trabalho para falar com o primeiro-ministro. Queria dizer-lhe que tem amigos que emigraram, queria dizer-lhe que não entende porque paga tantos impostos quando a dívida continua a subir.

A tudo, o chefe de Governo respondeu: durante 12 minutos, a conversa entre os dois fluiu, qual debate político, sem televisões. Cordatamente, com honestidade, com conteúdo. Com dados e números que Miguel quer conhecer.

"Já decidiu em que vai votar?", perguntamos no final da conversa entre os dois. "Ainda não. Tenho de pensar".