A cabeça de lista pelo círculo do Porto do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Bebiana Cunha, defendeu esta terça-feira a abolição dos espetáculos com sofrimento ou morte de animais, nomeadamente touradas, circos e caça desportiva.

“Queremos ainda terminar com o financiamento público de atividades onde haja sofrimento animal, por isso, se chegarmos ao parlamento iremos fazer propostas de leis que também eduquem as pessoas”, frisou numa ação de campanha numa rua comercial do Porto.

Segundo a candidata às eleições legislativas de 04 de outubro, as touradas são uma tradição que já devia estar, há muito tempo, “extinta ou reconvertida numa outra forma de cultura” que não provocasse sofrimento a outros seres e contribuísse para o desenvolvimento da população.

“Falamos de 16 milhões de euros de fundos públicos que são atribuídos direta ou indiretamente para a atividade tauromáquica e que, na nossa opinião, devia ser usada em produção de cultura real, cultura que fosse útil e benéfica para todos”, disse.


A título de exemplo, Bebiana Cunha lembrou que o município de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, apoia as touradas, mas não tem um gabinete de apoio às vítimas de violência doméstica, “o que não faz sentido”.

Quanto aos circos, a candidata entende ser “inconcebível” o uso e subjugação dos animais para esta atividade.

“Somos totalmente a favor dos circos como desenvolvimento do potencial humano, havendo exemplos de circos excelentes na mostra do potencial do homem nas atividades artísticas, mas não concordamos como o uso de animais como instrumentos, não podendo estar enjaulados e sem oportunidade de manifestar os seus comportamentos naturais”, realçou.

A candidata acrescentou que é “inaceitável que esta prática seja permitida em Portugal porque os treinos a que os animais são submetidos são bastante cruéis”.

Bebiana Cunha realçou ainda que a caça desportiva tem “problemas a vários níveis”, nomeadamente no que respeita ao abandono e submissão dos cães a práticas de fome.

“Não podemos conceber que os animais sejam tratados como instrumentos de caça, embora a lei o permita, a prática da caça por lazer ou desporto não faz sentido”, considerou.

A candidata manifestou-se ainda contra o uso de peles de animais que são mortos exclusivamente para satisfazer um “mero capricho humano”.