O membro do Comité Central do PCTP/MRPP, Garcia Pereira, disse esta terça-feira que o partido está disposto a viabilizar «um governo de unidade, autonómico, democrático e popular» para evitar o «cataclismo social» do Plano de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF).

Numa ação de campanha eleitoral para as eleições legislativas regionais antecipadas de 29 de março para escolha da nova Assembleia Legislativa da Madeira, Garcia Pereira, o dirigente do PCTP/MRPP com o pelouro da Madeira, disse, que o partido «está disposto a viabilizar um Governo de unidade, autonómico, democrático e popular que aplique e esteja disposto a aprovar as medidas, sejam elas apresentadas por quem for, mas que se destinem, de facto, a salvar o povo da região de um verdadeiro cataclismo social».

À margem de um encontro no Funchal com dirigentes sindicais do SINERGIAS, Garcia Pereira realçou que o PAEF é «um verdadeiro cataclismo» porque «não são apenas os 30 mil funcionários que vão para a rua e que representam 120 mil pessoas com fome» mas também a questão da amortização e pagamento dos juros da dívida pública.

«É a lógica de pagamento de 400 milhões de euros a título de amortização do capital e dos juros da dívida pública que o doutor Alberto João Jardim criou e procurou varrer para debaixo do tapete», referiu.

Garcia Pereira lembrou que, a 01 de janeiro do próximo ano, a Madeira começa a pagar o empréstimo de 1,5 mil milhões de euros: «a região tem de receitas fiscais 800 milhões de euros, se 400 milhões vão para o pagamento da dívida restam 400 milhões, ora, se o funcionamento dos serviços da saúde e de ensino custam 650 milhões de euros, significa que a Região precisa de arranjar ainda 250 milhões de euros só para que, no dia seguinte, não feche os hospitais e as escolas».

O membro do Comité do PCTP/MRPP realçou que, «como as receitas não dão», a solução será aumentar os impostos - IRS, IRC, IMI e o IVA.

«Se o PAEF não é suspenso de imediato, que é a nossa primeira medida de emergência, vai representar, de facto, um cataclismo social de consequências verdadeiramente inauditas», concluiu.

Desde 1988 que o Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (PCTP/MRPP) não concorre a eleições legislativas na Madeira, tendo participado nas de 1976 (357 votantes, 0,34%); nas de 1980 (489 votantes, 0,39%); nas de outubro de 1984 (760 votantes, 0,63%) e nas de 9 de outubro de 1988 (406 votantes, 0,40%).

Foram oficialmente admitidas às eleições legislativas da Madeira de 29 de março onze listas, sendo oito partidos (PSD, CDS, BE, JPP, PNR, MAS, PND e PCTP/MRPP) e três coligações Mudança (PS/PTP/MPT/PAN), CDU (PCP/PEV) e a Plataforma de Cidadãos (PPM/PDA).

As eleições antecipadas de 29 de março na Madeira acontecem na sequência do pedido de exoneração apresentado pelo presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, depois de ter sido substituído na liderança do partido maioritário (PSD) por Miguel Albuquerque.