O candidato presidencial e ex-deputado socialista Henrique Neto afirmou esta segunda-feira que tem receio de que o acordo de esquerda "não dure muito tempo", referindo que existem 40 anos de "divergências profundas" entre os partidos.

"É bom para o país que todos os partidos possam participar na governação, se o problema fosse esse estava feliz e satisfeito, mas a maneira como isto aconteceu está a ser artificial e tenho dúvidas que 40 anos de divergências profundas entre o PS e os partidos à sua esquerda possam desaparecer de um dia para outro", disse em declarações à Lusa.


Henrique Neto, que esteve hoje num encontro com a Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas, que decorreu no Seixal, referiu que tem receio de que o acordo anunciado entre PS, PCP, BE e Verdes "não dure muito tempo".

"Os interesses eleitorais são diferentes e vão criar enormes tensões. Se esta tentativa não subsistir, compromete a esquerda durante muitos anos e pode acontecer como resultado ter governos de direita durante muitos anos como aconteceu com o professor Cavaco Silva", salientou.


O candidato referiu que o atual Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, terá que respeitar a Constituição.

"Vai fazer o que é possível, pois a Constituição tem que ser respeitada. Se a coligação de esquerda apresentar por escrito um acordo com algumas garantias de ser estável, o Presidente da República tem que nomear António Costa como primeiro-ministro", frisou.

Henrique Neto salientou ainda que caso surja depois algum problema, a única solução é avançar para eleições.

"Se houver depois algum problema na coligação de esquerda que sai do acordo, a maneira correta de resolver o problema é ir para eleições o mais rápido possível", concluiu.


O acordo político entre PS, PCP, Bloco de Esquerda e "Os Verdes" assegura a formação de um Governo socialista, a não aprovação de moções de rejeição do PSD/CDS-PP e prevê a apreciação conjunta dos orçamentos do Estado. Estes são alguns dos principais pontos do acordo político aprovado na noite de domingo pela Comissão Política do PS, no final de quatro horas de reunião e cujo comunicado final foi lido pelo próprio líder socialista, António Costa.

"Perante as posições acordadas e publicamente assumidas por Bloco de Esquerda, PCP e "Os Verdes", está garantida: A formação e viabilização parlamentar de um Governo do PS com o programa aprovado [no sábado] na Comissão Nacional; a existência de condições de estabilidade na perspetiva de legislatura com a garantia de não aprovação de eventuais moções de rejeição ou censura da iniciativa do PSD/CDS; a existência de condições de governabilidade com apreciação conjunta dos instrumentos fundamentais de governação, designadamente os orçamentos do Estado", lê-se no comunicado final do PS.