A coligação PSD/CDS-PP estima gastar 2,8 milhões de euros na campanha das legislativas, enquanto o PS prevê despesas de 2,6 milhões de euros, cortes de cerca de 40% em relação aos gastos reais de 2011.

Segundo o mandatário financeiro da coligação Portugal à Frente, que junta PSD e CDS-PP, António Carlos Monteiro, a estimativa de despesas hoje entregue junto da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos representa um corte de cerca de 40% em relação ao que os dois partidos gastaram efetivamente nas legislativas de 2011.

Há quatro anos, o PSD estimava gastar perto de dois milhões de euros mas acabou por ter despesas na ordem dos 3,8 milhões de euros, enquanto o CDS-PP apresentou um orçamento de 700 mil euros mas teve despesas reais de perto de 800.000 euros (ou seja, há quatro anos os dois partidos gastaram um total de 4,6 milhões de euros).

"É um orçamento de contenção, prende-se com o respeito que temos pelos portugueses que fizeram sacrifícios e passaram tempos difíceis nestes quatro anos", afirmou António Carlos Monteiro, em declarações à agência Lusa.


O mandatário financeiro da coligação disse ainda que PSD/CDS-PP preveem gastar cerca de 100.000 com 'outdoors', aproveitando a rede permanente de 120 cartazes que os dois partidos possuem.

O PS, que em 2011 previa gastar 2,2 milhões de euros mas acabou por ter despesas de 4,1 milhões de euros, estima gastar na campanha das legislativas de 04 de outubro 2.594.930 euros, de acordo com o orçamento que o mandatário financeiro Hugo Xambre entregou na quinta-feira junto do Tribunal Constitucional e hoje revelado à Lusa.

De acordo com fonte oficial do PS, este orçamento "prevê que o partido gaste menos 43% do que o valor despendido na campanha eleitoral das anteriores eleições legislativas".

"Regista-se ainda uma diminuição de 75% na rúbrica de brindes e outras ofertas, uma diminuição de 57% na rúbrica de propaganda e comunicação impressa e digital e diminuições em todas as rúbricas em relação à despesa tida com as campanhas eleitorais anteriores para eleições legislativas", refere ainda a mesma fonte, que salienta que o procedimento de controlo financeiro "é transparente e aberto", tendo sido efetuadas consultas a um mínimo de três fornecedores para cada aquisição de bens e serviços.

"Será uma campanha de rigor nas contas, tendo sido feita uma orçamentação rigorosa face ao planeamento da campanha, evitando-se, desta forma, derrapagens nas contas de campanha", refere o partido.


Já o Bloco de Esquerda prevê gastar este ano 598 mil euros, abaixo do orçamento de há quatro anos (772 mil euros) e das despesas reais (cerca de 863 mil euros) que teve com as legislativas de 2011.

A maior fatia do orçamento do BE é destinada a "comícios, espetáculos e caravanas" (205 mil euros), seguindo-se as "estruturas, cartazes e telas" (quase 140 mil euros).

Dos partidos com assento parlamentar, apenas a CDU (coligação que integra PCP e Verdes) se escusou a divulgar o orçamento para a campanha de 04 de outubro.

Em 2011, a CDU entregou um orçamento em que previa despesas de 995 mil euros, mas acabou por gastar um pouco menos, cerca de 920 mil euros.

Hoje termina o prazo para os partidos entregarem na Entidade das Contas e Financiamentos Políticos os orçamentos para a campanha eleitoral.