Miguel Albuquerque é o senhor que se segue na Madeira. Ganhou as eleições. Suspirou de alívio por conseguir o 24º deputado que garantiu ao PSD a maioria absoluta. Os quase quarenta anos de uma única liderança, da mesma cor política, e o nome de Alberto João Jardim não entraram no seu discurso. Apregoou renovação, como o slogan de campanha:

«Connosco a Madeira terá um novo rumo e sairá da presente cruzilhada de forma positiva»

«Os nossos militantes perceberam que os tempos não estão para inércias» e que é preciso um «novo ciclo político»


As suas primeiras palavras foram acompanhadas de foguetes e música. «Sempre acreditei», assumiu, assinalando que a Madeira «quer um futuro que devolve autoestima, confiança e bem-estar» aos seus cidadãos.  «Por larga maioria, os madeirenses depositaram confiança no PSD Madeira», frisou. 

Sem «soluções milagrosas», Miguel Albuquerque admitiu que «há um longo trabalho pela frente». Prometeu cumprir as promessas eleitorais e não abusar da maioria absoluta:

«Não para exercer de forma absoluta, mas para garantir que todos são bem-vindos no nosso futuro comum»


Recados para Lisboa

O PSD de Miguel Albuquerque pretende manter «diálogo institucional firme com a República» e avisou que quer «aprofundar autonomia da região». Renegociar a dívida é uma das prioridades que levará ao primeiro-ministro da sua cor política, Pedro Passos Coelho:

«Esta maioria dá-me legitimidade para muita coisa (...) Evidentemente que isso vai ser feito»


No final, mostrou-se otimista:

«Somos um povo trabalhador que nunca baixou os braços nas situações mais adversas. Temos tudo para dar certo. Trabalhemos pela Madeira e só pela Madeira. (...)  Vamos atingir os nossos objetivos. Eis um novo ciclo que hoje se abre. Viva a Madeira! Viva a democracia! Viva a autonomia!»

Já nas respostas aos jornalistas, deu conta de que o «senhor do governo cessante» lhe enviou uma carta a parabenizá-lo pelo resultado eleitoral. Sem nunca dizer o nome de Alberto João Jardim disse que «todos que fazem parte do partido têm oportunidade de participar». 

Adiantou também que vai abrir o governo, que apresentará dentro de poucas semanas, a independentes.

Antes do discurso da vitória, no continente, o porta-voz do PSD Marco António Costa tinha afirmado que «os madeirenses rejeitaram os partidos que, numa atitude demagógica e populistas, ofereceram uma mensagem de facilitismo e ilusão»

Apesar das suas novas funções, Miguel Albuquerque vai continuar a tocar piano e a cuidar das suas rosas. «Vou fazer tudo o que costumo fazer na vida».

O grande derrotado da noite foi o PS, que nem em coligação com mais três partidos conseguiu, sequer, um segundo lugar. O líder regional do partido anunciou a demissão