A presidente do CDS-PP assumiu a preparação de um pacote de iniciativas com ensino pré-escolar obrigatório a partir dos cinco anos, podendo alargar-se a oferta desde os três, e a revisão de ciclos e exames.

Após um dia de debate sobre educação, na sede nacional democrata-cristã, Assunção Cristas, ressalvando que o partido centrista ainda está em fase de avaliação para apresentar "propostas concretas, com objetivo de poder estabelecer alguns consensos", lamentou ainda que a atual maioria parlamentar seja uma "barreira das esquerdas unidas que já nem são ideológicas, são do contra".

"A nossa preocupação é contribuir ativa e construtivamente para consensos. Acreditamos que é um caminho que pode ser um bocadinho frustrante, como temos visto com as propostas do CDS que são todas chumbadas, mas acho que quando estamos convencidos do caminho certo não o devemos alterar", afirmou, referindo-se a iniciativas legislativas recentes sobre natalidade, apoio a idosos ou segurança social.

A líder democrata-cristã, sublinhou que "os períodos de oposição são muito fecundos" para "trabalho de reflexão e aprofundamento das matérias" e ir "marcando posição", pois, "na governação, executa-se" e criticou que "muita da agenda" seja "fortemente condicionada pelos partidos da esquerda radical".

"Preferimos a terminologia de educação de infância. Neste momento, como é sabido ela não é obrigatória, embora já haja oferta quase total para os cinco anos. Há consenso de alargamento da oferta, progressivamente, para os quatro e os três anos", descreveu, antecipando também, "porventura, uma outra organização dos ciclos" - seis anos, mais seis anos e consequente alteração das etapas de avaliação (exames).

Defendendo "melhores formas de garantir a liberdade da educação", Cristas frisou que o partido está a refletir e seguir-se-ão, provavelmente, no início da próxima sessão legislativa, "propostas que resultam do trabalho do gabinete de estudos do CDS - um trabalho de casa com muitas pessoas e independentes", numas jornadas intituladas "Por uma Educação de Qualidade no Século XXI, Desafios para a Excelência", com a presença do presidente do Conselho Nacional de Educação, David Justino, entre outros.

"O ensino primário pode ser não de quatro anos, mas de seis. Ir até aos 11 anos e, depois, o secundário ser de novo de seis anos (entre o sétimo e 12.º). Parece-me algo que faz mais sentido num momento em que temos a escolaridade obrigatória até aos 17/18 anos", avançou, reconhecendo igualmente a necessidade de tratar da formação dos professores.