O candidato presidencial do PCP afirmou esta terça-feira que o novo ministro da Administração Interna, Calvão da Silva, pecou pela falta de "solidariedade e humanidade" em declarações da véspera, em Albufeira, a propósito das cheias verificadas no Algarve.

"Como candidato à presidência da República - e, se o povo assim quiser, através do voto, como Presidente da República -, não poderá haver outra atitude que não estar do lado das pessoas que são injustiçadas e vítimas destas situações. Há declarações que, lamentavelmente, não revelam o mínimo de solidariedade e de humanidade", disse o antigo padre e dirigente comunista Edgar Silva, após reunião com a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), em Lisboa.

O responsável governamental da coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) utilizou expressões como "fúria da Natureza" para justificar o sucedido e afirmou que a única vítima mortal do temporal, em Boliqueime, "entregou-se a Deus", por exemplo.
 

"A situação vivida pelas populações vítimas desta catástrofe só pode merecer total solidariedade, da parte de quem tenha o mínimo de consciência social e sensibilidade aos dramas humanos".


Calvão da Silva, confrontado com o facto de muitos dos comerciantes atingidos pelos estragos não terem seguro, defendeu tratar-se de uma forma de aprender, em primeiro lugar, "que é bom reservar sempre um bocadinho para, no futuro, ter seguro" e acrescentou que a declaração do estado de calamidade pública "não é uma lei que se faz por qualquer coisinha".

O presidente da câmara de Albufeira, Carlos Silva e Sousa, pediu, entretanto, que fosse decretado o estado de calamidade pública no concelho, devido aos "danos elevados" provocados pelas inundações de domingo.