A Secretaria da Economia, Turismo e Cultura da Madeira considerou que a consagração dos serviços mínimos em termos de voos da TAP para a região, durante o período de greve, foi "manifestamente insuficiente".

Desde o início da greve, a 1 de maio, já foram cancelados 43 voos no Aeroporto da Madeira, sendo que a TAP garante como serviços mínimos três voos por dia.

A secretaria regional tutelada por Eduardo Jesus informou, em comunicado de imprensa citado pela Lusa, ter reiterado, esta manhã, a sua posição junto do Ministério da Economia, da Secretaria de Estado do Turismo, da administração da TAP e da Presidência do Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil, relativamente a uma greve que, nos primeiros seis dias, "já provocou danos irreversíveis na imagem e no bom nome da Madeira".


Também a concelhia do Porto do PS afirmou esta quarta-feira que a operação dos serviços mínimos durante a greve dos pilotos “é um insulto à região”, acusando a administração da TAP de “virar as costas ao Porto e ao Norte”.

“A administração da TAP tem vindo a desinvestir de forma acentuada no aeroporto do Porto, uma infraestrutura fundamental para o desenvolvimento de todo o país, servindo muito especialmente o Porto e as regiões do Norte e Centro”, critica, em comunicado, o líder da concelhia do PS/Porto, Tiago Barbosa Ribeiro.


Para o socialista, “a administração da TAP voltou a demonstrar as suas opções” nesta greve de dez dias dos pilotos da TAP e da Portugália, já que “apenas menos de 2% da operação de serviços mínimos decidida pelo Tribunal Arbitral (seis dos 306 voos decretados) partiram ou chegaram ao aeroporto do Porto”.

“Esta realidade não tem nada a ver com a greve, mas sim com uma vergonhosa ação centralista da administração da TAP em desvalorizar o aeroporto do Porto e transformar a transportadora aérea nacional numa companhia regional de Lisboa”, sustenta Tiago Barbosa Ribeiro.

Adiantando que o PS/Porto “tudo fará para defender os interesses da região e combater o divórcio entre a TAP e o Norte, colocando esta empresa pública ao serviço de todo o país”, o socialista classifica como “inaceitável” a “subalternização do aeroporto do Porto em relação ao de Lisboa”.

Para o PS/Porto, esta “subalternização” tem vindo a manifestar-se “ao longo dos anos de várias formas” por parte da TAP”.

A concelhia aponta como exemplos “a eliminação de rotas por suposta falta de procura que são imediatamente ocupadas com sucesso por outras companhias”, a “quase inexistência de ligações diretas intercontinentais”, a “atribuição da frota mais envelhecida da PGA aos voos do Porto” e a “desvalorização das comodidades dos passageiros da TAP neste aeroporto quando comparadas com Lisboa”.

“Primeiro desinvestem no Porto e depois justificam o centralismo como opção de gestão”, sublinha o PS/Porto.

Questionado sobre os serviços mínimos decretados para o Porto, o porta-voz da TAP, André Serpa Soares, explicou na terça-feira à Lusa que, face à escassez de serviços mínimos, decidida pelo Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social, a companhia procurou fazer os voos que protegessem “o maior número possível de passageiros”.

“O aeroporto de Lisboa tem dimensão maior, é aqui que está o principal ‘hub’ da companhia. Lisboa gera mais tráfego e toda a operação para as Américas e África”, adiantou, considerando que “é natural que a TAP procure garantir o maior número de passageiros possíveis”.

Este porta-voz da companhia liderada por Fernando Pinto realçou que a estratégia seguida teve como objetivo minimizar o impacto da paralisação dos pilotos, rejeitando que signifique que o grupo esteja a subalternizar ou a desinvestir no aeroporto do Porto.

A operação a norte foi ainda penalizada pela adesão dos pilotos da Portugália (PGA) superior à dos pilotos da TAP, que realizam um boa parte importante da operação com partida no Porto.

Segundo os números divulgados desde o início da greve pela companhia, mais de metade da operação da Portugália tem sido comprometida pelo protesto, o que o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) justificou com o objetivo de “combater a fadiga acumulada e o reconhecimento da necessidade de rever as regras de trabalho em vigor pelo Acordo de Empresa, dado que não estão ajustados à atual operação”.

Os pilotos convocaram uma greve, para o período entre 01 e 10 de maio, por considerarem que o Governo não está a cumprir o acordo assinado em dezembro de 2014, nem um outro, estabelecido em 1999, que lhes dava direito a uma participação de até 20% no capital da empresa no âmbito da privatização.