A proposta de lei da reforma do IRC vai esta sexta-feira a votação final global, no plenário parlamentar, uma semana depois da data prevista, após avanços e recuos da maioria e do PS na discussão do diploma.

Na quinta-feira, o PS e a maioria parlamentar PSD/CDS-PP aprovaram na especialidade as propostas que consensualizaram no dia anterior sobre o IRC, chegando assim a acordo na maioria das questões colocadas, com algumas exceções.

O PS conseguiu fazer aprovar por unanimidade a criação de uma taxa reduzida de 17% para empresas com lucros até 15 mil euros, e a criação de um novo escalão de derrama estadual que tributa a 7% os lucros acima de 35 milhões de euros.

Os partidos da maioria também apresentaram uma proposta igual, mas esta foi preterida para aprovar a proposta socialista.

A maior divergência acabou por acontecer no regime de eliminação da dupla tributação, tendo sido aprovada a proposta da maioria parlamentar que estabelece que a distribuição de dividendos e mais-valias fique isenta de IRC desde que o sócio que os recebe detenha uma participação mínima de 5% durante 24 meses consecutivos.

O PS disse desde o início que queria que a participação mínima exigida para que se pudesse aceder a este regime fosse de 10%, mas a maioria parlamentar PSD/CDS-PP manteve a sua proposta para que este valor fosse de apenas 5%. A cedência da maioria ao PS acabou por ser alargar o prazo da participação para um mínimo de 24 meses, quando o anterior prazo mínimo de detenção da participação era de 12 meses.

Relativamente à redução da taxa de IRC a partir de 2015, mantiveram-se as divergências: o PSD e o CDS-PP dizem que a taxa «deve ser reduzida» e quantificam essa redução para os anos de 2015 e 2016, mas fazem depender estas descidas de imposto da análise de uma «comissão de monitorização da reforma do IRC», que será constituída para o efeito.

A proposta dos socialistas não só não quantificava a redução das taxas de IRC no futuro, como muda o vocabulário para «pode ser reduzida» e evita qualquer referência a uma comissão para acompanhar esta reforma.

Ambos admitiam que pudesse haver uma reformulação dos regimes de IVA e IRS, no âmbito da redução da taxa de IRC, mas a proposta do PSD e do CDS-PP é que irá ser vertida na lei.

No regime da interioridade, o PSD e o CDS-PP propunham que o Governo estudasse um regime de benefício fiscal «que reforce a coesão territorial e emprego», enquanto o PS queria uma redução efetiva para metade da taxa normal de IRC (que em 2014 será de 23%) nas regiões do interior já definidas na lei. No entanto, na especialidade, a proposta do PS foi chumbada pela direita, apesar de ter tido o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda.