O presidente da Comissão Europeia acredita que Portugal ainda pode regressar aos mercados no próximo ano, se não tiver mais «acidentes políticos».

«Se se garantir a estabilidade, que é uma condição indispensável para a confiança, estou seguro de que Portugal pode, se não houver acidentes políticos, atingir o seu objetivo, que é regressar aos mercados em 2014», disse.

«Se há uma lição a retirar da recente crise política em Portugal e também noutros países sob programa é que a instabilidade afeta gravemente a confiança», disse Durão Barroso, acrescentando que, «quando a confiança é posta em causa, há também consequências imediatas em termos económicos e financeiros».

Durão Barroso comentava esta quarta-feira, durante uma conferência de imprensa em Bruxelas, a situação política no nosso país e considerou que, apesar de não se ter chegado a acordo, «alguma coisa» terá ficado do diálogo entre Governo e oposição.

Para Barroso, o importante é haver um Governo empenhado em prosseguir a aplicação do programa de ajustamento, mas reconheceu que «seria útil que houvesse em Portugal um maior consenso político e social».

«O que importa agora ressaltar é o seguinte: há um Governo, agora remodelado, que deu garantias de cumprir as obrigações a que Portugal está internacionalmente vinculado, que vai continuar em funções, e esse governo dispõe de uma clara maioria na Assembleia da República».

«A Comissão tem sempre sublinhado que, para além da maioria que forma o Governo, seria útil que houvesse em Portugal um maior consenso político e social, dada a situação excecional em que o país vive, precisamente por causa de ter a necessidade de aplicar um programa de ajustamento económico e financeiro, que é muito exigente, mas que é a única solução para que Portugal possa financiar-se autonomamente junto dos mercados», acrescentou.

«É por isso que seguimos obviamente com muito interesse todos os os esforços feitos no sentido de haver um maior diálogo, um diálogo mais abrangente, que desse uma base política e social mais consistente a esses esforços nacionais. Eu penso que deste diálogo alguma coisa terá ficado, e que as declarações feitas até agora pelos diferentes responsáveis políticos apontam nesse sentido: na necessidade de se chegar a determinados compromissos para fazer face à situação extraordinariamente exigente com que o país está confrontado», continuou.

O presidente da Comissão acrescentou disse mesmo notar que, «em termos da mensagem política, há hoje em dia um reconhecimento bastante alargado na sociedade portuguesa quanto à necessidade de, para além da indispensável consolidação orçamental e do esforço de reformas estruturais para a competitividade, se tomarem medidas concretas que promovam o crescimento, o emprego e em geral o crescimento».

«Por isso, parece-me poder dizer-se que há um consenso alargado quanto a estes objetivos», concluiu.