O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, desafiou esta segunda-feira o líder do PS, António José Seguro, a dizer qual é a proposta do partido para limitar a despesa corrente primária.

Em declarações aos jornalistas em Tondela, onde hoje inaugurou um novo complexo logístico da Fresenius Kabi, Passos Coelho garantiu estar atento ao que diz António José Seguro e sublinhou «a disponibilidade que ele tem mostrado para fixar um limite à despesa corrente primária».

«É importante sabermos que limite é esse, qual é a proposta concreta que o Partido Socialista faz de limitar a despesa corrente primária», referiu.

Passos Coelho disse que, uma vez que vai ser elaborado «um documento de estratégia orçamental que deverá incluir uma trajetória para o défice público e, portanto, para a despesa pública até 2017, era importante que o PS trouxesse também ativamente uma proposta nesse sentido».

«O país beneficiava disso. Nós quando fixamos um valor temos de explicar como o atingimos e que políticas vamos seguir para lá chegar», considerou.

Na opinião do governante, isso «era muito importante para reduzir o risco da dívida pública portuguesa e melhorar as condições de crescimento do país nos próximos anos».

Por outro lado, permitiria que «os investidores externos percebessem que não é apenas o Governo que está comprometido com esse objetivo, mas que o principal partido da oposição, que um dia poderá vir a ser Governo, está também».

Passos Coelho defendeu que todos devem esforçar-se «para fugir ao debate político mais conjuntural, à necessidade de afirmação política que os partidos têm».

Ainda que perceba a posição do PS, o primeiro-ministro considera que o partido «não se confundirá com o Governo se olhar para a realidade como ela é», porque «a realidade, desse ponto de vista, não tem nuances ideológicas».

«É o que é e nós temos de reduzir a nossa despesa em ordem a um objetivo que quer o governo, quer o PS, dizem que respeitam e que querem atingir. Então é natural que possam fazer um esforço para dizer ao país como é que nos propomos a alcançar esse objetivo», acrescentou.

Nesse âmbito, fez votos para que o PS possa vir a ter «um envolvimento mais descomplexado, mais disponível» para conversar sobre esse assunto.