O social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa considerou esta sábado que o Governo devia "ouvir o Parlamento" antes de nomear o próximo governador do Banco de Portugal, pois está em votação uma lei prevendo esta audição prévia da Assembleia da República.

"O ponto polémico é saber se, estando em votação uma lei que foi proposta pelo Partido Socialista e que visa a audição prévia do Parlamento relativamente à nomeação do governador, não deveria ser respeitada a lei. Eu acho que teria sido preferível respeitar a lei", afirmou o comentador político à margem de um almoço promovido pelo PSD/Maia para homenagear os militantes com 40 anos de filiação.


Marcelo Rebelo de Sousa comentava notícias divulgadas na comunicação social dando conta de que será intenção do Governo reconduzir Carlos Costa para um novo mandato à frente do Banco de Portugal.

Em declarações aos jornalistas, o social-democrata disse perceber "a razão do Governo, que é a urgência", mas considerou que, "já que a maioria aceitou a nova lei, mais valia acelerar a lei, ouvia-se o Parlamento e nomeava-se o governador".

Até porque, disse, se "parecia uma evidência que o Governo ia reconduzir Carlos Costa", o facto é que "o Partido Socialista nunca escondeu que, no caso de vir a ganhar as eleições, o seu candidato no futuro a um lugar como esse não é Carlos Costa".


"Embora seja um mandato que não pode ser questionado pelo Governo, se o PS ganhar as eleições não é de admitir um relacionamento muito fácil entre o Governo e o governador do Banco de Portugal. Mas isso já se sabia", disse, considerando que "a questão mais polémica" neste caso "é processual", reporta a Lusa.

O constitucionalista também deu a sua opinião a propósito da entrevista de António Costa este sábado e da data para nomeação de um Governo.