O antigo presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso disse, na noite de quinta-feira, que a União Europeia tem todas as condições para projetar influência a nível externo e que o devia fazer.

Numa conferência na Fundação de Serralves, no Porto, sob o título de “A governação mundial num mundo policêntrico: os desafios da União Europeia”, moderada pelo presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, Durão Barroso afirmou acreditar que os principais problemas a enfrentar pela União Europeia são políticos, “desde logo o crescimento do populismo e da xenofobia”.

"[Há] mesmo dúvidas quanto à qualidade da democracia e do respeito dos valores do Estado de direito em alguns dos nossos estados. Estou a pensar pelo menos em dois ou três países, que são dos novos Estados-membros. Temos o crescimento do populismo e da xenofobia, como já disse, alimentado pela entrada maciça e muito rápida de refugiados, o que dá um argumento às forças extremistas em geral", acrescentou.


O antigo primeiro-ministro realçou que a União Europeia é relevante “naqueles domínios em que de alguma forma já se federou”, mas menos nos “domínios que permanecem em larga medida sob o controlo dos Estados-membros”.

“Tem havido alguns progressos como na política externa e de segurança comum, mas onde obviamente falta à Europa o conjunto de atributos da potência. Temos a Europa espaço, mas não temos ainda a Europa potência. Falta a vontade. Falta essencialmente a vontade. Porque se a Europa quiser, se houver o entendimento político de projetar valores, projetar influência e defender interesses a Europa tem todas as condições”, declarou Durão Barroso.


Na opinião de Barroso, que disse não pretender abordar política nacional e sublinhou estar “pelo menos até maio” na universidade norte-americana de Princeton, onde é professor visitante desde fevereiro do ano passado, a Europa “tem de conseguir coerência do ponto de vista económico, através da necessária tarefa que é completar o mercado interno”.

“A Europa tem de projetar também os seus interesses do ponto de vista da política externa. Mesmo assim, na política externa tem feito mais do que as pessoas pensam. A Europa tem uma forma de influência difusa”, afirmou o anterior presidente da Comissão Europeia, para quem “a globalização será o principal fator para a integração europeia”.