O presidente da Comissão Europeia recusou, esta terça-feira, comentar as candidaturas já existentes à liderança do executivo comunitário no contexto das eleições europeias e afirmou que será sempre «um livre-pensador».

As posições do chefe do executivo comunitário foram assumidas em Bruxelas, durante um debate com jovens, no Parlamento Europeu, promovido pela Provedoria de Justiça Europeia, que se prolongou por cerca de uma hora e meia e que contou também com a participação de Martin Schulz.

Perante uma plateia maioritariamente de jovens, e após serem colocadas algumas questões, José Manuel Durão Barroso rejeitou por completo a ideia de que a União Europeia não é uma organização democrática e apelou principalmente aos mais novos para que critiquem, mas não deixem de participar no projeto europeu.

Barroso abordou o novo método de designação dos candidatos a presidente da Comissão Europeia nas eleições europeias de 25 de maio, as primeiras à luz do Tratado de Lisboa, em que as famílias políticas apresentam candidatos e o Parlamento Europeu passa a ter mais poderes, incluindo o resultado do sufrágio ser «tido em conta» nessa designação, que continua a pertencer ao Conselho.

«Pela primeira vez vamos ter uma eleição onde todos os partidos mais importantes estão a apresentar ou já apresentaram os seus candidatos», referiu, elogiando esta alteração institucional.

Questionado pelo jornalista Tim King, moderador do debate, sobre se, por exemplo, Martin Schulz, candidato socialista à Comissão, será eleito para presidente caso a sua família política vença e tenha «mais lugares», Barroso disse não querer «especular» sobre esse assunto e respondeu apenas que o processo «é mais complexo do que isso».

«Não vou elaborar sobre esse assunto, respeito muito os candidatos, mas não quero especular», afirmou, para salientar mais à frente que o Parlamento e o Conselho «têm um papel nisso» e ambas as instituições precisam de ser respeitadas.

Sobre si próprio, Durão Barroso considerou apenas «ser uma pessoa livre» e que o será «sempre», antes «de ser presidente» [da Comissão Europeia] e «depois».

«Na política todas as funções são temporárias por natureza, mas a minha condição de livre-pensador vai continuar, mesmo depois de ser presidente da Comissão Europeia», declarou.

Na sua intervenção, e a propósito da ideia de livre pensamento, Barroso evocou o seu passado de estudante: «Estive nas ruas do meu país a combater o colonialismo e a ditadura. Na universidade lutei por uma sociedade mais livre e aberta.»