Os partidos políticos reagiram, este domingo, ao discurso de 5 de Outubro do Presidente da República, no qual Cavaco Silva pediu uma cultura de compromisso político por parte das forças políticas considerando que, caso contrário, há um risco de implosão do atual sistema partidário português. PSD e CDS-PP afirmaram estar de acordo com os alertas do Presidente, dizendo que há muito que tentam compromissos com a oposição. Já dos partidos da esquerda, muitas críticas a Cavaco Silva, sobretudo por não ter assumido a própria responsabilidade nos problemas do pais

PSD diz que tem feito tudo e PS não colabora

O secretário-geral do PSD, José Matos Rosa, afirmou este domingo que os sociais-democratas têm feito «tudo» para ir ao encontro das preocupações expressas pelo Presidente da República, Cavaco Silva, para compromissos e uma reforma do sistema político.

«Está na página 23 da última moção ao congresso do PSD do doutor Pedro Passos Coelho a nossa proposta para a reforma do sistema político. Já fizemos vários desafios aos vários partidos, porque como sabem isto tem que ser feito com o PS e com CDS-PP», declarou Matos Rosa aos jornalistas.

«O PSD tudo tem feito» no sentido da prossecução de reformas no sistema político, sublinhou Matos Rosa, lamentando a ausência de colaboração por parte do PS. «O PS nunca colaborou. Ao longo destes últimos 3 anos, o PS nunca colaborou com o PSD e com este Governo, ou seja, nunca colaborou com os portugueses e com Portugal», acusou.

Cavaco quer compromissos para «além do próximo ato eleitoral», diz CDS

O CDS-PP encontrou no discurso do Presidente da República um apelo a que os partidos do chamado «arco da governação» encontrem «compromissos para além do próximo ato eleitoral».

«Vamos pensar para além do próximo ano eleitoral, penso que é isso que todos queremos e foi isto que o senhor Presidente da República quis dizer. Vamos encontrar compromissos para além do próximo ato eleitoral», declarou a deputada e dirigente do CDS-PP Teresa Caeiro aos jornalistas.

Presidente da República devia ter feito autocrítica, acusa Ferro Rodrigues

O líder parlamentar do PS defendeu que o Presidente da República também devia ter feito uma autocrítica pelas funções públicas que exerceu.

«O senhor Presidente da República, tendo sido primeiro-ministro durante dez anos e sendo Presidente da República também praticamente há esse tempo, falando da crise do sistema político, devia também ter feito a sua própria autocrítica, coisa que não fez», afirmou Ferro Rodrigues, em declarações aos jornalistas, no final das comemorações oficiais do 5 de Outubro, realizadas no salão nobre da Câmara Municipal de Lisboa.

Questionado sobre o discurso do Presidente da República, Ferro Rodrigues lembrou, por outro lado, que até agora nunca Portugal teve uma crise de governabilidade devido ao atual sistema político.

«Portugal não teve até agora nenhuma crise de governabilidade, houve sempre soluções para formar Governo, a crise que existe é uma crise de confiança determinada pelo que aconteceu depois da crise internacional», afirmou.

Cavaco Silva não assumiu as próprias responsabilidades, acusa PCP

O PCP lamentou o discurso do Presidente da República nas comemorações da República, acusando-o de não assumir as próprias responsabilidades na cobertura que deu ao Governo na «ação destruidora» do país.

«É um discurso que ignora as dificuldades e o agravamento da crise politica que estamos a viver com um governo que já há muito devia ter sido demitido e que só se mantem em funções porque goza da cobertura política do Presidente da República», disse João Oliveira do PCP.

João Oliveira defendeu que o discurso do Presidente da República «ignorou olimpicamente as dificuldades» que os portugueses estão a atravessar «e sobretudo as suas próprias responsabilidades» nas dificuldades por que passam os portugueses e a democracia portuguesa.

Cavaco persistiu no erro de pedir compromissos para a austeridade, diz BE

O BE defendeu que Cavaco Silva persistiu «no erro» de insistir no «compromisso» à volta da «política de austeridade» e que é isso que leva ao desagrado para com as instituições democráticas.

«Quando, persistindo no erro, o Presidente da República insiste na chamada cultura de compromisso à volta de mais do mesmo, da política de austeridade, da política da troika sem a troika, esse compromisso é aquele que fatalmente leva a um aumento do desagrado das cidadãos e das cidadãs em relação às políticas que se têm seguido», afirmou aos jornalistas o deputado do Bloco de Esquerda Luís Fazenda.