O antigo presidente do PSD e primeiro-ministro Pedro Santana Lopes defendeu este sábado que é essencial a presença do Estado na saúde e questionou se será assim tão errado ponderar a mutualização de parte da dívida.

«Se há área em que eu sou social-democrata é a da saúde», declarou Pedro Santana Lopes, no XXXV Congresso Nacional do PSD, que decorre no Coliseu dos Recreios de Lisboa. «Se há área em que eu acho que o Estado não pode prescindir da sua presença e prescindir dos direitos básicos a todos aqueles que precisam deles, essa área é a da saúde», reforçou, recebendo palmas.

O atual Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa referiu que a morte do seu pai, num local ao qual a ambulância demorava a chegar, o fez pensar no que sentiriam «as pessoas que vivem no chamado interior, longe de onde há equipamentos de saúde e meios de transporte quando lhes acontecessem situações como esta».

Referindo-se aos encerramentos de tribunais, acrescentou: «A saúde não pode ser encarada da mesma maneira. Sempre que é preciso que algum cuidado de saúde para garantir uma vida esteja próximo, ele tem de estar próximo e tem de estar disponível, não pode ser apanharmos a camioneta para irmos centenas de quilómetros como passamos a ir para um tribunal nos termos da organização judiciária que está a ser feita. O primeiro dos bens é o da saúde, o primeiro e o mais importante, como sabemos».

Na sua intervenção, Pedro Santana Lopes apelou ao investimento nos cuidados continuados e paliativos, sustentou que o país está melhor «nas contas públicas», mas não «nas contas privadas» das pessoas, e falou de política europeia.

«Há uma parte de responsabilidade da nossa dívida que é dívida da União Europeia, não é só nossa. As nossas políticas ano a ano eram analisadas pela União Europeia, eram analisadas em Bruxelas», argumentou, questionando: «Quando há propostas para, em certa medida, pensarmos mutualização de parte da dívida, será isso tão errado?».

Santana Lopes afirmou também que continua «a ter algumas dúvidas» sobre se foi bom Portugal ter aderido à moeda única como aderiu: «Naquela altura, tantos países com a mesma moeda, com as mesmas obrigações, com sistemas económicos tão diferentes, foi um esforço enorme. Eu disse isto várias vezes em congressos».