O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, desvalorizou hoje a tensão entre Portugal e Angola, assegurando que «a diplomacia calmamente resolverá tudo isso» e recordando que «não é a primeira vez» que há problemas.

Em declarações à Lusa à margem do colóquio sobre mulheres da diáspora, que decorre hoje e na sexta-feira no Palácio das Necessidades, José Cesário disse não estar preocupado com o atual momento da relação bilateral luso-angolana.

A tensão diplomática entre Portugal e Angola levou já o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, a anunciar a suspensão da parceria estratégica entre Luanda e Lisboa.

Poucos dias antes, em entrevista à Rádio Nacional de Angola, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, tinha pedido desculpa a Luanda pelas investigações do Ministério Público português, declarações que provocaram polémica em Lisboa.

Entretanto, na quarta-feira à noite, o chefe da diplomacia angolana, Georges Chikoti, disse, em entrevista à Televisão Pública de Angola, que Luanda deixou de considerar prioritária a cooperação com Portugal, elegendo África do Sul, China e Brasil como alternativas.

Quanto à realização da primeira cimeira luso-angolana, inicialmente prevista para o final deste ano e adiada para fevereiro de 2014, o ministro angolano disse não ter «muita certeza» sobre a sua efetiva realização.

«Estou firmemente convencido que tudo se ultrapassará. Não é a primeira vez que temos problemas, pequenos problemas, esses problemas são ultrapassados quando os homens querem e os homens com certeza vão querer ultrapassá-los», frisou, atribuindo os «problemas» a «circunstâncias da vida pública e da vida política».

Sublinhando que a comunidade portuguesa «está muito bem integrada em Angola e é muito respeitada, muito acarinhada pelos angolanos», o secretário de Estado não duvida de que esta relação entre «povos irmãos» seja para continuar.

«Algum ou outro problema que vá surgindo naturalmente será ultrapassado», afiança, apelando à «colaboração» e à «valorização da presença dos portugueses em Angola e dos angolanos em Portugal».