O vice-presidente do CDS-PP Diogo Feio (PP) declarou esta quarta-feira que os resultados eleitorais em Portugal indicam que Pedro Passos Coelho tem de ser o próximo primeiro-ministro, porque os portugueses "não querem as aventuras" de uma coligação de esquerda.

"Neste momento estamos no processo de indigitação do Governo. Ouvidos os partidos políticos, é natural que o Presidente da República tome uma decisão sobre quem será o próximo primeiro-ministro. Na minha opinião deve ser Pedro Passos Coelho, (…) tendo em conta os resultados eleitorais", disse Diogo Feio, à margem do Congresso do Partido Popular Europeu (PPE), em Madrid.

Para o dirigente do PP português, os resultados eleitorais em Portugal - vitória da coligação PSD-PP sem maioria absoluta - "surgiram porque os portugueses não pretendem voltar para trás". Apesar da vitória da coligação PaF, o segundo partido mais votado a 04 de outubro, o PS, está em negociações para formar governo com o apoio do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista.

"[Os portugueses] Querem estabilidade, segurança. Não querem no Governo partidos que convocam manifestações contra a NATO, nem que dizem em Bruxelas que é necessário haver verbas para aqueles que querem sair do euro - quando a maior parte dos países que não estão no euro, o que querem é estar lá", sublinhou Diogo Feio.

Os portugueses, salientou, "querem tranquilidade para as suas vidas" sem que os sacrifícios que fizeram "sejam deitados ao lixo".

Ou seja, sintetizou Diogo Feio, "querem um governo como a coligação lhes pode dar, que mantenha os bons níveis de crescimento que a economia portuguesa está a começar a ter. Não querem aventuras".

A vitória do PSD e do PP nas eleições portuguesas tem surgido nas intervenções dos dirigentes do PPE à margem ou no plenário do Congresso, que têm dado os parabéns a Passos e a Portas e criticado a atitude do PS português, liderado por António Costa.

"É natural que no Congresso do PPE se congratulem os dois partidos porque venceram as eleições em Portugal. É natural, normal e isso vai-se repetindo. A sensação que existe neste congresso do PPE é a mesma que existe em Portugal: dois partidos apresentaram-se coligados às eleições e venceram-nas - tiveram mais votos, mais mandatos, mais deputados - e isso tem naturalmente consequências", justificou Diogo Feio.

Por outro lado, o presidente do PP espanhol, Mariano Rajoy, disse esperar que a situação política em Portugal não se repita com o PSOE em Espanha, nas eleições gerais de 20 de dezembro. Diogo Feio mostrou-se confiante de que Rajoy sairá vencedor no final do ano no país vizinho.

"Hoje vi uma sondagem que dava o PP claramente à frente, coisa que também me deixa satisfeito em relação à situação espanhola. Mas aquilo que acontece neste momento em Portugal é algo que já aconteceu várias vezes nos 40 anos da nossa democracia. Uma coligação que teve mais votos e que está numa situação de maioria relativa. Não é uma coisa assim tão fora do usual e que os portugueses não tenham determinado várias vezes, através do seu voto", referiu.