O PSD acusou esta sexta-feira o PS de falar sem decoro sobre a pobreza, apontando-a como consequência da governação socialista e defendendo que os dados relativos a 2014 vão ser melhores do que os de 2013.

«O PS tem uma atitude de total falta de decoro, falta de respeito pelos sacrifícios dos portugueses e de um enorme cinismo político. Estamos a falar do partido que lançou o país na bancarrota, que destruiu o país económica e socialmente, e que agora se vem queixar das consequências que essa destruição provocou, como se fosse possível, depois da situação em que nos deixaram, que não tivesse havido qualquer tipo de consequências», declarou o deputado do PSD Miguel Santos aos jornalistas, no parlamento.


O vice-presidente da bancada do PSD reagiu assim às palavras do socialista Vieira da Silva, que considerou que o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento do Instituto Nacional de Estatística (INE) - segundo o qual 19,5% de pessoas estavam em risco de pobreza em 2013, face a 18,7% no ano anterior - desmente a tese do primeiro-ministro de que «não foi o mexilhão que ficou com a parte mais dura da crise».

Manifestando «repúdio» pelas palavras de Vieira da Silva, Miguel Santos considerou que o relatório do INE «é relevante», mas «deve ser lido no seu tempo e na sua extensão», tendo em conta que os dados são relativos a 2013 e que, «entretanto, o Governo desenvolveu toda uma política de medidas com impacto social extremamente relevantes».

«2013 foi o ano da viragem. 2014, quando sair o relatório, com os dados que existem e que já estão confirmados, será certamente um ano muito melhor, e 2015 melhor ainda», sustentou.


O deputado e vice-presidente da bancada do PSD referiu que 2013 «foi o ano em que começou o crescimento económico no país, em que o desemprego se encontrava perto dos 18% e começou a baixar todos os meses de forma consistente».

Quanto à política social do Governo, Miguel Santos mencionou «o aumento do salário mínimo, a majoração da proteção no desemprego para os casais desempregados, o aumento das pensões sociais e rurais, a reposição total das pensões, e a devolução de 20% dos cortes nos salários da função pública».

Segundo o social-democrata, o próprio relatório do INE reconhece «o aumento da política social do Governo, nomeadamente nas transferências sociais».

O deputado do PSD reclamou que o Governo «tem prosseguido uma política de proteção social, de proteção dos mais desfavorecidos para quem o impacto da bancarrota teria sempre consequências mais gravosas», a par com «uma política de saneamento financeiro» e com «uma política de recuperação económica do país».

CDS-PP expressa convicção de que risco de pobreza diminuiu face a 2013

O deputado do CDS-PP Artur Rego manifestou-se convicto de que o aumento do risco de pobreza registado em 2013 será menor em 2014 devido à descida da taxa de desemprego, refletindo uma realidade «substancialmente diferente».

«Temos a convicção que os números hoje são diferentes dos números apresentados no relatório do INE que são respeitantes a 2013. A descida da taxa de desemprego implica que dezenas de milhares de famílias saíram de situação de pobreza ou de limiar de pobreza», afirmou Artur Rego.

«Sendo números preocupantes, fica-nos a esperança, acompanhada da convicção que queremos transmitir a todos os portugueses, de que os números para 2014 apresentarão já uma realidade relativa aos índices de pobreza em Portugal, substancialmente diferente daquela que agora é apresentada para o ano de 2013», declarou.


Artur Rego disse igualmente que «no mesmo relatório do INE está plasmado que sucessivamente e todos os anos, o Governo, com consciência das dificuldades provocadas pelo programa de ajustamento e a austeridade, teve o cuidado de aumentar anualmente as transferências sociais para a população portuguesa».

«Estamos a falar de pessoas, não estamos a falar de números. Estamos a falar de crianças, estamos a falar de pessoas idosas, deve ser tratado com a dignidade que essas pessoas merecem. Até por isso, achamos lamentável que o PS tenha feito as declarações que fez, fazendo um aproveitamento político, um aproveitamento propagandístico, quase eleitoral», acusou.