O BE, o PCP, à esquerda, e o CDS-PP, à direita, escusaram-se, esta quarta-feira, a fazer declarações sobre a situação do Banif e o encontro de terça-feira, na residência oficial do primeiro-ministro, sobre as dificuldades daquele banco.

Após a conferência de líderes das bancadas da Assembleia da República, a bloquista Mariana Mortágua, o democrata-cristão Nuno Magalhães e o comunista Paulo Sá preferiram não se alongar em comentários sobre aquela matéria.

"Todos compreendemos a responsabilidade que temos, neste momento, em fazer declarações sobre o Banif ou qualquer outro banco, portanto, remeteria para quem está a cuidar do processo, que é o primeiro-ministro. Eu não as posso fazer, em nome da responsabilidade", disse Mórtágua, que se destacou na anterior legislatura no inquérito ao universo Espírito Santo, confessando-se "nem mais preocupada, nem mais descansada" com as informações recolhidas em São Bento.

O presidente do grupo parlamentar centrista, Nuno Magalhães, referiu que "a preocupação e, sobretudo, o sentido de Estado exigem que não se diga rigorosamente nada sobre esse assunto".

"O CDS assumiu o compromisso firme, que cumprirá firmemente, de que não divulgará nada sobre o que se passou na reunião de ontem (terça-feira)", afirmou o deputado centrista, enquanto o parlamentar do PCP Paulo Sá limitou-se a dizer que não respondia a perguntas sobre o Banif, mas que os jornalistas teriam "outras oportunidades para as colocar".

Sá é o deputado comunista habitualmente encarregado dos assuntos económico-financeiros, tendo vindo a alertar para diversos problemas na banca portuguesa, criticando abertamente os seus responsáveis e, nomeadamente, os reguladores.

O deputado-secretário da mesa da Assembleia da República, o social-democrata Duarte Pacheco, referiu que o assunto não foi alvo de qualquer iniciativa por parte dos grupos parlamentares durante a conferência de líderes e o vice-presidente da bancada do PSD Hugo Soares não prestou quaisquer declarações à saída da reunião.

O primeiro-ministro, o socialista António Costa, afirmou terça-feira que está garantida a integridade do dinheiro dos depositantes no Banif, independentemente dos montantes envolvidos, e deixou uma mensagem de confiança no sistema financeiro português.

Segundo o chefe do executivo, nas reuniões sobre o Banif, em São Bento, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, bem como outros representantes do supervisor financeiro nacional, "tiveram a gentileza de transmitir aos diferentes grupos parlamentares a informação que têm transmitido ao Governo".

Contudo, o primeiro-ministro advertiu que o custo para os contribuintes resultante da situação do Banif vai depender da solução final do processo em curso naquele banco, adiantando que não pode fornecer a estes as mesmas garantias que dá aos depositantes.