Marcelo Rebelo de Sousa disse, esta segunda-feira, que a sua interpretação das palavras do Presidente alemão, numa conferência de imprensa conjunta em Berlim, "foi a de que correspondiam ao reconhecimento pela Alemanha do esforço feito pelos portugueses durante anos para controlarem o desequilíbrio financeiro interno e externo, e para seguirem um caminho que foi difícil, complexo e exigente".

"Fico grato, como representante das portuguesas e dos portugueses, pelo facto de o presidente alemão traduzir o reconhecimento desse esforço", disse o Presidente da República, que depois de um almoço de trabalho com Joachim Gauck se reunirá com a chanceler alemã, Angela Merkel, a quem se propõe expor os motivos pelos quais considera que seria "injusta" a aplicação de sanções a Portugal devido ao défice excessivo.

Durante a conferência de imprensa conjunta com o presidente alemão, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a manifestar-se convicto de que os parceiros europeus de Portugal, e designadamente a Alemanha, "perceberão" que os "sacrifícios grandes do povo português nos últimos quatro anos" merece ser "compreendida e nunca abandonada ou punida".

O Presidente da Alemanha disse esta segunda-feira, na conferência de imprensa conjunta com o Presidente da República Portuguesa, que reconhece o esforço feito por Portugal nos últimos anos, mas rejeitou "imiscuir-se" na questão das eventuais sanções.

"Não quero imiscuir-me nos assuntos do governo e parlamento (federais) e muito menos dar conselhos ao Conselho Europeu e instituições europeias. Vou respeitar os limites do meu cargo e não vou tomar posição em relação a essas questões", disse Joachim Gauck, quando questionado sobre a principal questão que Marcelo Rebelo de Sousa tenciona abordar esta segunda-feira com as autoridades alemãs, durante a visita oficial a Berlim.

O Presidente da Alemanha afirmou todavia que "é com grande respeito que o povo alemão tem acompanhado os esforços feitos por Portugal para concluir o programa de ajustamento". Joachim Gauck realçou que "convém ter em mente que os povos sofrem com o rumo da austeridade e é necessária muita coragem política também para implementar os programas".

"Não estou cético no que se refere ao caminho trilhado por Portugal", que "tem sempre sublinhado o seu rumo europeu", disse.

Gauck sublinhou do mesmo modo que, ao contrário do que por vezes é descrito, o governo alemão "não representa aquele elemento ameaçador", e disse que "é com reconhecimento" que acompanha as posições do governo federal sobre questões de estabilidade financeira".

"O nosso país procura a unidade europeia. Queremos a coesão da Europa, e este desejo é a nossa diretriz", declarou.

Elogios mútuos sobre atitude face à crise de refugiados

Os Presidentes da Alemanha e de Portugal teceram, esta segunda-feira, elogios mútuos ao trabalho de ambos os países na gestão da crise migratória, com Joachim Gauck a garantir que os alemães ficaram "profundamente impressionados" com os portugueses no acolhimento de refugiados.

"Há uma cooperação estreita entre os dois países na gestão dos fluxos migratórios. Ficámos profundamente impressionados com a atitude portuguesa perante os refugiados. Portugal deu as boas vindas a muitos", destacou Gauck, na conferência de imprensa conjunta com Marcelo Rebelo de Sousa, durante a visita oficial que o Presidente da República está a realizar a Berlim.

Por seu turno, Marcelo Rebelo de Sousa disse que "Portugal elogia a Alemanha pela coragem com que soube enfrentar o problema dos refugiados", pois "numa ocasião em que muitos adiaram, evitaram, omitiram, a Alemanha teve a coragem de enfrentar o problema sem hesitações”.

"E Portugal apoiou. Portugal é dos países europeus, comparando com a população, que mais refugiados recebeu e vai receber, tendo já elevado, por sua iniciativa própria, a quota de refugiados que está disponível" para acolher, "como forma de manifestar o apoio a uma iniciativa em boa hora tomada pela Alemanha", enfatizou.

No entanto, o chefe de Estado salientou que a crise de refugiados exige uma resposta mais ampla.

"Aí, os nossos dois países estão de acordo: tem de haver uma posição europeia relativamente ao problema dos refugiados", concluiu.

Depois do encontro com o presidente alemão, Marcelo Rebelo de Sousa é recebido pela chanceler alemã, Angela Merkel. O Presidente da república Portuguesa terminará depois a deslocação a Berlim com uma visita ao Parlamento federal, o Bundestag.