A primeira reação oficial do PS à subida do défice para 7,2% em 2014 por causa do Novo Banco, conhecida esta quarta-feira, foi feita através de Pedro Nuno Santos, que classificou o resultado como uma "incompetência grave demais" por parte do Governo. Em Águeda, por onde anda a caravana socialista, António Costa também tocou no assunto num almoço-comício. E com um dito popular: "Pela boca morre o peixe". 

"Está aqui provado quem é que foi prudente, conservador e moderado no desenho do seu programa económico. Eles lançaram-se nesta fé de que conseguiriam um milagre de reduzir este ano 5 pontos percentuais na dívida do produto (...) e um défice de 2,7% este ano, que nenhuma instituição reconheceu como possível. Ninguém até agora, sério e respeitável, assinou por baixo a previsão do Governo. Quem é que acredita agora que essa meta seja atingida quando ficámos a saber que o ponto de partida é muito maior?"


Esse ponto de partida é um défice de 7,2% em 2014 e de 4,7% no primeiro semestre deste ano. A meta do Governo é de fechar 2015 nos 2,7%. Costa não acredita e recordou que o seu programa fez previsões com base num défice maior, de 3% a 3,2%, pelo que não terá de mudar as suas previsões e as medidas para equilibrar as contas que acusa do Governo de ter colocado ao nível do que herdou em 2011. 

"Fizemos as contas com muita prudência e sem esperar milagres. (...) Sobretudo relativamente à meta da dívida a atingir em 2019 fomos ultra prudentes. (...) Com este resultado, não teremos de alterar em nada o nosso programa, porque nós tínhamos uma previsão realista.


Costa garante, assim, que apesar deste "fracasso do governo", como o apelida, o seu o programa mantém-se "sólido e credível".

Aproveitou, mesmo assim, para deixar um recado a Passos e Portas: "Mas temos de lhes dizer: o vosso programa, o tal programa de estabilidade que apresentaram em Bruxelas, a prever corte de 600 milhões, esse é que foi por água abaixo. Essa meta da dívida é impossível de cumprir, nestes anos e nos seguintes. O programa é que era irrealista, fantasioso, não tem credibilidade". 

Costa assumiu, no entanto, que os números do défice têm "graves consequências para as finanças públicas". E que quando a decisão da resolução e consequente venda do banco foi tomada (entretanto adiada para 2016 porque as negociações fracassaram), "eles começaram por dizer que não era dinheiro dos contribuintes, que não era dinheiro do Estado, e que não teria qualquer impacto no défice de 2014". 

"Nós dissemos: estão a mentir. E levaram mais de um ano a disfarçar um problema indisfarçável. Pois é, pela boca morre o peixe. Nós é que temos um programa sem fantasias. (...) Digam lá agora como é? Então quais são as previsões em que afinal assenta o vosso programa económico. Se com aquele irrealismo da dívida já teriam de cortar 600 milhões, e agora depois do resultado que tiveram no ano passado e que vão ter este ano? Quanto é que vão ter de aumentar de impostos aos portugueses para (...) tapar este gigantesco buraco?"