O PSD garantiu esta quarta-feira que participará numa futura comissão de inquérito sobre a situação dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo independentemente do objeto da comissão, porque quer «o esclarecimento cabal da verdade».

«Independentemente daquilo que venha a resultar desse objeto o PSD participará no esclarecimento cabal da verdade nessa comissão de inquérito», afirmou o deputado do PSD Carlos Abreu Amorim, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

Ressalvando que o PSD não conhece ainda oficialmente o objeto do requerimento para a constituição potestativa de uma comissão de inquérito relativa aos Estaleiros de Viana do Castelo, Carlos Abreu Amorim recordou as notícias «abundantes» que falam que o objeto da comissão se limita aos últimos dois anos de gestão da empresa.

«Há um intuito político, tentar fazer uma fraude política nesta comissão de inquérito, no sentido de que apenas um período seja possível analisar», sublinhou.

Antes, também em declarações aos jornalistas, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, já tinha, contudo, reiterando que «o texto do requerimento nunca foi só sobre os dois últimos anos» de gestão.

«O único drama aqui foi lançado pelo PSD que nem conhece o texto do requerimento e decidiu lançar uma atoarda sem sentido rigorosamente nenhum», criticou o deputado comunista.

Confrontado com estas declarações do líder parlamentar do PCP, Carlos Abreu Amorim insistiu nas acusações já deixadas pelos sociais-democratas de que PCP e PS estariam envolvidos numa «negociata» na definição do objeto da comissão de inquérito.

Contudo, acrescentou o deputado social-democrata, «seja qual for o objeto que resultar desta negociata entre o PCP e alguns deputados do PS, o PSD não irá fazer aquilo que lhe fizeram, isto é, degradar a imagem do Parlamento, fazendo a ausência formal de uma comissão parlamentar que seja aprovada ou que seja potestivamente agendada».

«Parece que há uma nítida dor na consciência em relação ao verdadeiro atentado parlamentar com a não participação que fizeram na comissão da Reforma do Estado que os deputados da oposição boicotaram com as cadeira vazias», lembrou.

Para a comissão de inquérito potestativa requerida pelo PCP avançar são necessárias a assinatura de pelo menos 46 dos 230 deputados.

Além dos grupos parlamentares comunista, do BE e do PEV, irão assinar o requerimento para a constituição da comissão de inquérito 22 deputados do PS, perfazendo assim o número necessário de assinaturas.