O secretário-geral do PCP condenou as contradições entre membros do Governo da maioria PSD/CDS-PP sobre um futuro programa de assistência ao regresso aos mercados, acusando o primeiro-ministro de responder «com tripla» para perpetuar a dependência de Portugal.

«Acabou de nos dar aqui uma explicação brilhante: pode ser que sim, pode ser que não, talvez. Respondeu com uma tripla às questões colocadas», afirmou Jerónimo de Sousa, apontando discordâncias entre Passos Coelho, o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, e o ministro da Economia, Pires de Lima, sobre a necessidade de um programa cautelar findo o atual programa de assistência económico-financeira.

«Sacrifícios que o Governo exigiu aos portugueses serviram para zero»

O debate quinzenal com o líder do executivo, no Parlamento, foi ainda aproveitado pelo líder comunista para questionar Passos Coelho sobre os «1.100 milhões de euros» que o Estado concedeu para a recapitalização do banco BANIF.

«Os portugueses não vão pagar outro buraco? Quanto é que já foi devolvido? É um Estado mínimo para quem trabalhou ou trabalha e um Estado máximo para os poderosos e o grande capital», criticou Jerónimo de Sousa, sugerindo que o Governo tem «amigos».

Passos Coelho refutou as acusações de que o executivo PSD/CDS-PP «tem mãos grandes para os amigos» e a insinuação de que haja qualquer «espécie de favor ou privilégio».

«Eu não tenho amigos... não tenho amigos no BANIF», afirmou, esclarecendo que aquela instituição bancária devolveu entretanto «150 milhões de euros, com o primeiro reforço de capital privado que já foi realizado».

O deputado comunista tinha declarado que um eventual «novo programa, de cautelar nada tem», por vir a ser efetuado «sob a batuta da dupla Banco Central Europeu e Comissão Europeia».

CDS-PP: Orçamento não poupa banca, EDP e PT

«Chamemos o nome que quisermos, segundo resgate, programa cautelar, Seguro [virando-se para o líder socialista com o mesmo nome], essa retoma não passa de propaganda. Todas estas manobras e posições aparentemente antagónicas, visam esconder o que está em causa, que é a perpetuação da dependência», afirmou o líder do PCP.

Passos Coelho reiterou que «o país está a trabalhar arduamente para encerrar este programa de assistência», mas fez depender o modelo seguinte de financiamento junto dos mercados do caso irlandês.

«Podemos precisar ou não de alguma assistência ou de apoio para regressar a mercado. Pode ser que sim, pode ser que não. Eu desejaria que não precisássemos de coisa alguma. Trabalharemos todos para discutir esse assunto quando se puser, mas não está em cima da minha mesa de trabalho, ou da ministra das Finanças ou da mesa de discussão com a troika», garantiu.