O debate entre os dois candidatos presidenciais Edgar Silva e Sampaio da Nóvoa, na TVI24, ficou marcado pelas promessas de uma presidência de proximidade por parte de ambos, que estão de acordo, no essencial, quanto às questões sociais. A prioridade do candidato do PCP é a produção nacional, com Sampaio da Nóvoa a fazer notar que é o conhecimento que permite que a produção aumente. Coincidentes nos propósitos, mas não nos caminhos para a(s) meta(s), foi nas questões militares e no apoio político-partidário que mais se evidenciaram as diferenças dos dois candidatos.
 
Se Sampaio da Nóvoa caracteriza a sua candidatura como tendo uma “marca de cidadania” e sendo ele um “candidato independente”, ao contrário, quis dizer, de Edgar Silva que é apoiado pelos comunistas, este rejeitou que esse apoio seja uma menos-valia. “Pelo contrário, é um certificado de garantia”. Sampaio da Nóvoa é que “não conseguiu se calhar o apoio que queria”, obtendo apenas o de uma “fação do Partido Socialista”, atirou.
 
O ex-reitor fez questão de sublinhar repetidamente que a sua candidatura é independente. “É feita sem dependências sem dependências de ninguém, de alguém que há 40 anos está na vida pública, nunca esteve nem de um lado nem do outro”. Falou em convergência, está na corrida para "unir" a esquerda.

Quem são, então, os interesses instalados contra os quais se manifestou e demarcou? Só depois da insistência do jornalista é que Nóvoa afirmou serem os “interesses financeiros”, lembrando as “situações absolutamente dramáticas que tornaram muito da política refém de lógicas financeiras e de outra ordem”, respondeu, aludindo aos casos dos bancos intervencionados, como o BES e o Banif.
 
As questões militares e dos direitos humanos também estiveram em cima da mesa do debate liderado pelo jornalista Paulo Magalhães. Sobre as críticas recorrentemente apontadas ao PCP por ter votado contra uma resolução da ONU a condenar a violação dos direitos humanos na Coreia do Norte, Edgar Silva respondeu:
 

“Se eu iria à Coreia do Norte? Seria o último lugar do mundo onde pensaria fazer uma visita de Estado”

 
O candidato apoiado pelo PCP defendeu, no entanto, que o Presidente da República “tem o dever de manter com todos os povos uma relação de respeito independentemente das simpatias ou apreciações de carácter depreciativo”. De qualquer modo, assegurou que estará, se for chefe de Estado, “na linha da frente da defesa dos direitos humanos”, seja na Coreia do Norte, ou nos EUA, ou em Angola, exemplificou, fazendo notar que essa defesa começará dentro de portas, em Portugal, onde há muita “pobreza e miséria”.
 
Já sobre o envio de missões das Forças Armadas para o exterior, exceto pelas Nações Unidas, Edgar Silva reiterou a sua posição, lendo o que a Constituição diz sobre a dissolução de blocos militares como a NATO.
 
Sampaio da Nóvoa não se mostrou contra a NATO e, sobre a participação em conflitos militares disse rever-se “muito” no entendimento do ex-Presidente da República Jorge Sampaio aquando a guerra do Iraque.
 

“Intervenção militar como último dos últimos recursos. Só depois de uma ação diplomática forte, sobretudo depois de ação económica forte, para secar fontes de investimento de Estados e grupos terroristas. Só em último dos últimos lugares, em último dos últimos recursos, uma intervenção militar no quadro do direito internacional”. 


Quanto ao exercício da Presidência, Nóvoa prometeu uma presidência de proximidade, com "presidências abertas à maneira de Mário Soares", e de "ação internacional", que deverá "estar virada por inteiro para a questão dos direitos humanos". "Portugal deverá ter pela sua história, localização e identidade um papel muito importante". Os direitos humanos foram, de resto, tema muito vincado por Edgar Silva e, nesse ponto, ambos estiveram de acordo na urgência de zelo presidencial. Ainda assim, o candidato apoiado pelo PCP defendeu uma proximidade "simplificada, não ostensiva, com uma base mais informal" junto da população.