O CDS-PP, que concorre às eleições legislativas coligado com o PSD, enviou pedidos de reunião às televisões portugueses para voltar a discutir os formatos de debate, considerando estar em causa o critério da pluralidade. Isto depois de Paulo Portas, vice-primeiro-ministro e líder do CDS-PP, ter ficado de fora do debate televisivo com todos os partidos.

Segundo carta a que a agência Lusa teve acesso, assinada pela deputada e membro da comissão executiva centrista Cecília Meireles, os democratas-cristãos defendem "debates, em formato frente-a-frente, entre todos os líderes partidários", pois asseguram "o contraditório, o pluralismo" e são "a escolha dos meios de comunicação social, no exercício pleno da liberdade editorial".

Após reuniões entre responsáveis editoriais da comunicação social e responsáveis partidários, estabeleceu-se um debate entre o primeiro-ministro e recandidato pela coligação Portugal à Frente, Pedro Passos Coelho, e o secretário-geral do maior partido da oposição, PS, António Costa, a 9 de setembro nas televisões e a 17 do mesmo mês nas rádios, além de um debate entre todos os líderes a 22, ou seja, sem o presidente do CDS-PP, Paulo Portas, alegadamente por exigência de Costa, mas também de Jerónimo de Sousa, pois a sua coligação com "Os Verdes" acarretaria, seguindo-se o mesmo critério, a participação de Heloísa Apolónia.

Para o CDS-PP, não há "qualquer entrave à participação de qualquer outro partido nos debates, nem mesmo quanto ao PEV (Partido Ecologista "Os Verdes"), que nunca se apresentou isoladamente a eleições nem fez parte de qualquer Governo".

"Aceitar que um partido vete a participação de outro nos debates constitui não só uma lesão do pluralismo, como uma discriminação que se aplica direta e exclusivamente aos eleitores que se reconhecem na nossa área política e doutrinária, que assim ficariam impedidos de estar representados em debates importantes para o futuro do país", lê-se no texto, que se manifesta contra quem tenciona "impor um 'diktat' aos meios de comunicação social, não sobre a sua própria participação nos debates, mas sobre a participação de terceiros."


Para os centristas, "o facto do PSD e CDS concorrerem juntos às eleições de 4 de outubro constitui uma coligação de partidos, não constitui uma fusão de partidos. Após as eleições, PSD e CDS constituirão, cada qual, Grupos Parlamentares próprios. Tal como sucedeu na última legislatura, após as eleições, PSD e CDS continuarão a ter iniciativa política e parlamentar própria".

A missiva adianta que "o CDS tem analisado esta matéria com o seu parceiro de coligação" e que os dois advogam que "a exclusão do CDS e do seu líder dos frente-a-frente e debates previstos põe em causa a pluralidade do respetivo formato".

"Solicitamos, por isso, uma reunião com Vossas Excelências, aguardando que estes argumentos sejam ponderados. Reservamos uma resposta definitiva do CDS e da coligação como um todo sobre os vários temas em aberto para momento ulterior a essa reflexão, na exata medida em que, com a mesma posição construtiva de sempre, nos parecem possíveis várias soluções para superar o presente impasse", conclui-se na carta.