O PS considerou «positivo» o crescimento da economia, estimado em 0,6% no segundo trimestre.

«O PS regista como positivo o crescimento da economia portuguesa, é muito importante que o país esteja a crescer, que a nossa economia esteja a crescer, porque isso é muito importante para todos os portugueses», afirmou esta quinta-feira Óscar Gaspar, em declarações aos jornalistas na sede do PS, em Lisboa.

O dirigente socialista falava a propósito dos números divulgados esta manhã pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que revelam que a economia portuguesa cresceu 0,6% no segundo trimestre deste ano, face ao primeiro, e 0,8% face a igual período de 2013.

Óscar Gaspar admitiu, porém, que o crescimento registado ainda não é aquele que todos gostariam, e lamentou que o Governo não tivesse tido mais cedo «políticas de incentivo da economia e políticas que, mais do que austeridade, transmitissem confiança à economia nacional e aos empresários».

Já o PCP, através do deputado José Lourenço lamentou os dados divulgados sobre o desempenho da economia no segundo trimestre, sublinhando que o valor compromete a meta do Governo para este ano.

Os dados «vêm confirmar um claro abrandamento da nossa economia e desmentem o milagre económico de que o Governo falava no último trimestre de 2013», afirmou à Lusa.

Mas «o mais relevante» é que fica «inevitavelmente» comprometida «a meta do Governo [para o crescimento da economia] este ano, que era 1,2%», sublinhou.

O cenário irá, segundo este comunista, piorar nos próximos meses: «Não podemos esquecer que estes dados são anteriores ao escândalo do BES e, por isso mesmo, vêm confirmar a falência das políticas deste Governo, assentes em cortes nos salários e nas pensões, na redução dos direitos dos trabalhadores e numa emigração maciça.»

José Lourenço lembrou que a economia portuguesa caiu 6% nos últimos três anos, e que a ligeira retoma agora divulgada ainda não contabiliza a crise do BES. «Os impactos económicos inevitáveis resultantes da profunda crise financeira atual, provocada pelo escândalo BES, fazem prever um segundo semestre ainda bem pior do que aquele que agora terminou», afirmou.

De acordo com o deputado do PCP, o crescimento da economia portuguesa «beneficiou em parte da melhoria que se vinha a registar nas economias europeias», mas «é uma questão meramente conjuntural» face ao quadro apresentado hoje, em que a Alemanha e a Itália registaram quedas das suas economias no segundo trimestre e a França ficou estagnada.

Para o BE, a economia portuguesa sofreu um abrandamento e teve um crescimento «praticamente nulo», considerando, por isso, ser «invenção do Governo» a ideia de crescimento económico, afirmou Mariana Mortágua.

Para a deputada, que pertence à Comissão parlamentar de Economia, os números «mostram claramente um abrandamento da economia portuguesa».

Os 0,8% mostram que a recessão não compensa e que é preocupante que cada vez mais o crescimento seja «tendencialmente nulo», disse a deputada.

O abrandamento da economia, acrescentou, deveu-se a uma quebra na procura interna e a uma quebra no consumo, «o que tem diretamente a ver com a austeridades mas também com a instabilidade que as pessoas sentem perante a expetativa de novos cortes» salariais.

«O que temos é uma economia que não consegue crescer. Pode crescer zero ponto qualquer coisa mas está sempre muito próxima do crescimento nulo. A ideia da recuperação económica foi uma invenção do Governo, foi propaganda, e temos a prova trimestre após trimestre de que a austeridade não funciona como modelo de crescimento das economias, de criação de emprego e de perspetivas de futuro. O risco que corremos hoje, se continuarmos com austeridade, é o de ter uma economia estagnada, na melhor das hipóteses, nos próximos 10 anos», defendeu.