O PS considerou hoje que nada se pode esperar da reforma do Estado do Governo, advogando que os portugueses estão «fartos de ser enganados com essa conversa» e que da reforma só sobram cortes «cegos e retroativos».

Estas críticas foram feitas pelo vice-presidente da bancada socialista Pedro Marques, depois de confrontado com o facto de o Governo discutir hoje em Conselho de Ministros o guião reforma do Estado.

«O que tem sobrado da suposta reforma do Estado são cortes - cortes cegos e retroativos, cortes de salários e de pensões. A isso que o Governo foi chamando reforma do Estado, não podemos esperar nada de especial nesta fase. Os portugueses já estão fartos de ser enganados com a conversa da reforma do Estado», declarou Pedro Marques.

O dirigente da bancada socialista referiu também que se está «há um ano numa maratona, com interrupções permanentes, sobre a dita discussão da reforma do Estado».

«Depois o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, na quarta-feira, aqui no parlamento, também disse que já estava a fazer a reforma do Estado há dois anos e meio. Ou seja, há um atrás o primeiro-ministro convidou o PS para um debate sobre a reforma do Estado, parecendo pretender iniciar ali o processo, embora não se tenha iniciado coisa nenhuma», apontou Pedro Marques.

Pedro Marques criticou também as posições assumidas pelo deputado e porta-voz do CDS João Almeida.

«Disse que ainda só se estava na fase dos cortes e que o debate da reforma do Estado talvez faça sentido daqui a seis meses», apontou o membro da direção do Grupo Parlamentar do PS.

Neste momento, de acordo com Pedro Marques, verifica-se que nos dois últimos anos de políticas do Governo houve apenas «dor sem ajustamento».

«O défice para 2013 vai ser exatamente o mesmo que transitou de 2012 (5,8 por cento) e a dívida pública tem crescido brutalmente, tendo aumentado 30 mil milhões de euros nos dois anos de funções do executivo. O que sobra desta estratégia de austeridade recessiva é um aumento brutal do desemprego, da dívida pública e o défice não baixa. Esperamos o pior da execução do Orçamento para 2014 porque não é credível em termos de cenários macroeconómico e é danoso do ponto de vista social», sustentou Pedro Marques.