João Semedo, reeleito para a Mesa Nacional do BE, convidou hoje os restantes eleitos a encerrarem a disputa interna em nome da unidade, defendendo que o modelo de coordenação deve refletir o resultado das votações na IX Convenção.

«A partir da cultura de unidade, a Mesa Nacional deve definir o modelo de representação pública do partido que melhor corresponda ao debate da Convenção e ao resultado das votações que aqui fizemos. É esse o nosso apelo», afirmou João Semedo.


Segundo João Semedo, o modelo de coordenação a definir na primeira reunião da Mesa Nacional eleita hoje deve «fazer essa correspondência de forma pacificadora e respeitadora dos sinais» que a IX Convenção deu.

A lista apresentada por João Semedo e Catarina Martins obteve exatamente o mesmo número de votos e elegeu o mesmo número de representantes para a Mesa Nacional que a lista proposta pelo líder parlamentar, Pedro Filipe Soares.

De acordo com os Estatutos aprovados na IX Convenção, cabe à Mesa Nacional eleger em próxima reunião uma Comissão Política que «observa o princípio da paridade de género 50/50», tendo em conta a «proporcionalidade dos resultados eleitorais das diferentes moções apresentadas à Convenção Nacional».

A nova Mesa Nacional é composta por 34 membros propostos pela direção cessante, 34 pela lista do líder parlamentar, por sete propostos pela lista B e por 4 propostos pela lista R.

A lista proposta por Pedro Filipe Soares venceu a Comissão de Direitos, órgão de jurisdição do partido, enquanto a moção de orientação política apresentada pela lista de Semedo e Catarina Martins obtiveram a maioria dos votos dos delegados à IX Convenção.

Apresentado por Helena Pinto da mesa da Convenção como «coordenador cessante», João Semedo disse querer falar «na condição de membro eleito da nova Mesa Nacional» - o regimento da Convenção previa que «a mesa [da Convenção] convida a lista mais votada para a Mesa Nacional a intervir no final dos trabalhos e, posteriormente, ao encerramento da Convenção]».

O dirigente bloquista sublinhou que as votações na Convenção «deram um sinal político que a Mesa Nacional e todos os membros eleitos devem saber interpretar refletidamente».

«Pela sua composição plural e pelo peso que cada moção terá, esta mesa nacional tem uma responsabilidade especial quando vamos começar um novo ciclo político», disse, fazendo um apelo para «o fim da disputa interna» sem prejuízo «das diferenças e opiniões».

«O maior desafio, a responsabilidade maior na Mesa Nacional, é precisamente por isso, desde a sua primeira reunião, confirmar a cultura de unidade na ação que sempre correspondeu ao espaço de unidade que é o Bloco», disse.


Para João Semedo, a renovação da confiança no BE não será conseguida apenas por «nenhum dos grupos internos ou figura individual» mas por todos.

Nova Mesa Nacional reúne-se no próximo domingo para discutir liderança

A nova Mesa Nacional do BE, que registou um empate entre as duas maiores listas candidatas, a da atual direção e a de Pedro Filipe Soares, reúne-se no próximo domingo para debater a futura liderança.

A votação dos delegados à IX Convenção Nacional, que terminou hoje em Lisboa, ditou que cada uma das listas passa a ter 34 representantes entre os 80 membros daquele que é o órgão máximo do BE entre convenções.

Com este empate para a Mesa Nacional, a Convenção do Bloco de Esquerda terminou sem definir a solução de liderança do partido. No entanto, a moção mais votada, que define a estratégia do BE para os próximos dois anos, foi a da anterior direção, encabeçada pelos coordenadores João Semedo e Catarina Martins.