O PSD renovou esta quarta-feira o apelo a um compromisso que mostrasse «que os políticos são capazes de se entenderem» para o pós-troika, mas ouviu do PS que a «coligação» está criada mas é contra a austeridade.

«Não há democracia sem partidos. Mas também não há democracia quando as pessoas não acreditam nos partidos que têm. Temos a responsabilidade de mostrar ao país que a política e os políticos são capazes de se entenderem, de encontrar os consensos que o futuro pós-troika exige», afirmou o vice-presidente da bancada do PSD, Luís Menezes.

Numa declaração política, o deputado social-democrata desafiou todos os partidos a olhar o pós-troika e a ter «a capacidade de deixar a politiquice de lado» e ter «coragem de pensar naquilo que é melhor para o país».

«Que não pensemos nos nossos resultados eleitorais, mas antes nos resultados que o país e os portugueses podem ter dos consensos essenciais para um futuro de prosperidade e de crescimento sustentado», defendeu.

Luís Menezes insistiu na argumentação social-democrata segundo a qual existe hoje «um país melhor» do que em maio de 2011, quando foi instituído o programa de assistência económica e financeira, embora ressalvando que «os portugueses ainda não sentiram essas melhorias».

Pelo PS, o deputado Pedro Nuno Santos respondeu que aquilo que o PSD pede não é um consenso mas uma «capitulação» e citou o manifesto dos 70 para argumentar que, «talvez pela primeira vez desde o 25 de Abril» há «uma coligação tão ampla, da esquerda à direita» para renegociar a dívida pública portuguesa.

«Queriam uma coligação, pois ela está aqui, mas rejeita a que vocês querem, é à volta de um programa que permita ao país reduzir de forma substancial a austeridade. Os senhores não querem renegociar a dívida, porque a querem toda e querem-na toda para continuar a justificar a austeridade que impõem ao país», argumentou.

Também o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, se referiu ao manifesto a pedir a renegociação da dívida para dizer ao PSD que, se não quis responder ao BE, que fez uma declaração política sobre renegociação da dívida, pode responder «a Ferreira Leite, a Bagão Félix», àqueles do seu lado político que dizem que «a dívida não é pagável».

O líder parlamentar do PCP, João Oliveira, questionou Luís Menezes sobre o país de que falou como se fosse «a terra do leite e do mel», mas um país «que não tem pessoas», em que o futuro que espera aos jovens é a emigração, um futuro no qual, «com a cobertura do Presidente da República» o Governo quer tornar definitivos os cortes que anunciou como provisórios.