Partidos da oposição na Assembleia Municipal de Lisboa pediram esta terça-feira ao presidente da Câmara, António Costa (PS), que reúna o Conselho Municipal de Segurança, lembrando os incidentes de domingo no Bairro Portugal Novo.

A reunião do Conselho Municipal de Segurança foi pedida pelo PSD e PCP mas o presidente da Câmara não esclareceu os deputados sobre a ausência de reuniões daquele órgão consultivo municipal. António Costa escusou fazer qualquer comentário.

«É evidente pelas situações ocorridas no domingo a necessidade deste Conselho reunir de imediato», disse o líder da bancada do PSD, Saldanha Serra, que segunda-feira enviou uma carta a António Costa exigindo a reunião daquele órgão.

Também o líder da bancada do PCP, Modesto Navarro, considerou «urgente» que o Conselho Municipal de Segurança reúna, uma reivindicação que já tinha sido expressa pelo secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa.

A Assembleia Municipal adiou hoje a votação da criação do Conselho Participativo da cidade, um órgão consultivo onde também teriam assento os conselhos municipais.

«Não viabilizamos este Conselho enquanto Vossa Excelência não cumprir as suas obrigações e reunir os conselhos municipais», disse Saldanha Serra dirigindo-se ao presidente da Câmara.

O Comando Metropolitano de Lisboa anunciou segunda-feira a detenção de um homem de 26 anos suspeito de participar no tiroteio de domingo nas Olaias, na posse de uma arma carregada com munições.

Ao fim da tarde de domingo foram ouvidos vários disparos no Bairro, relativos à disputa de uma habitação, segundo o presidente da Junta de Freguesia do Alto do Pina.

O vereador do Ambiente na Câmara de Lisboa, Sá Fernandes, considerou hoje que os problemas do Bairro Portugal Novo são «essencialmente do Estado» mas defende que a autarquia deve apoiar a concretização de «soluções» urbanísticas para a zona.

No mandato anterior, a Câmara aprovou por unanimidade uma proposta de Sá Fernandes, na altura vereador da oposição eleito pelo Bloco de Esquerda, defendendo uma intervenção conjunta do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana e da autarquia na reabilitação do Bairro.

«É um problema essencialmente do Estado. A gestão daquele edificado não é da Câmara mas a Câmara não pode fechar os olhos e deve dar apoio a todas as soluções», disse Sá Fernandes.

«É um caso de urbanismo que tem de se resolver de alguma forma», acrescentou.

Sá Fernandes defendeu ainda a posição do presidente da Câmara, António Costa (PS), segundo a qual os incidentes de domingo constituem um «caso de polícia».

«Aquilo que o presidente disse é que o que se passou, os tiros, é um caso de polícia e naturalmente que é», afirmou.