O ex-secretário-geral do PSD Rui Rio manifestou-se triste com as críticas de algumas figuras do partido sobre a sua ausência no congresso do passado fim de semana, lamentando que esta situação se tenha tornado “um tema central”.

Num artigo de opinião intitulado “Assim, não”, publicado esta segunda-feira no Jornal de Notícias, Rui Rio lamentou as críticas que lhe foram dirigidas, em especial por Pedro Santana Lopes e pelo secretário-geral do partido Matos Rosa.

“Fiquei triste ao ouvir uma pessoa pelo qual tenho consideração pessoal, como Pedro Santana Lopes, insinuar que eu não fui ao Congresso para ofuscar o líder, quando ele sabe que eu nunca disse tal disparate e que essa postura, pura e simplesmente, não joga com a minha maneira de ser. Como também me penalizou ouvir o secretário-geral Matos Rosa, pessoa que não conhecendo muito bem tenho em boa conta ética e moral, dizer com injusta ironia que eu revelo grande humildade”

Rui Rio entende que todos os que criticaram a sua ausência no Congresso realizado no fim de semana em Espinho “acabaram por lhe dar razão” quando optou por não estar presente.

“Aqueles que da minha ausência fizeram um tema central do Congresso acabam, na prática, por dar razão à minha razão ao ter optado em não estar presente. Se, para eles, fui tão relevante ao não estar como não teria sido se eu lá estivesse. Não teria havido palavra minha que não tivesse tido mil e uma interpretações e mil e uma especulações, ou seja, justamente, o que eu não queria. Assim, não!”, salientou.

O responsável salientou que “ao contrário do que procuraram fazer crer” e “apesar de não concordar com alguns aspetos da gestão partidária que tem sido feita nos últimos anos”, não tem feito críticas públicas.

“Hoje, sim, digo claramente que não me revejo neste tipo de atuação que aqui refiro e que, infelizmente, alguns responsáveis do meu partido tiveram neste congresso”, escreveu Rui Rio.

No passado dia 30 de março, o ex-vice-presidente do PSD Rui Rio disse numa entrevista à rádio TSF que não ia ao congresso do partido porque se arriscaria “a ser um elemento central do congresso”.

"Se eu lá fosse ainda me arriscava a ser um elemento central do congresso. O doutor Pedro Passos Coelho resolveu candidatar-se, com base em ter sido o mais votado (embora não o vencedor). Tem essa legitimidade, eu não quero perturbar", disse Rui Rio.

No artigo de opinião que hoje assina no Jornal de Notícias, Rui Rio salientou que na entrevista à TSF não teceu quaisquer críticas ao líder do partido, “porque não seria eticamente correto fazê-lo, uma vez que não tinha procurado ser eleito delegado ao Congresso para, assim ter direito a estar presente e fazê-las onde elas, em primeiro lugar, devem ser feitas”.

“Foi, por isso, feio, muito feio, ver congressistas com efetivas responsabilidades políticas inventarem o que não existiu para, assim, me procurarem denegrir ou, dito de outra forma, procurarem exorcizar um fantasma que criaram no seu imaginário e os aterroriza; e do qual, pelos vistos, não se conseguem libertar”, salientou.

Rui Rio considerou ainda que “não foi politicamente sério e, muito menos, sintoma de vitalidade partidária, ouvir algumas mentiras que, misturadas com pequenos fragmentos de verdade, tiveram como único objetivo entrar por um caminho politicamente muito pouco nobre e, até, de alguma cobardia”.