O 21º Congresso do PS começa esta sexta-feira em Lisboa com cinco painéis temáticos simultâneos sobre temas como educação ou Governo das esquerdas, estando a primeira intervenção do secretário-geral, António Costa, prevista para as 22:00.

A partir das 16:00, começam as votações para presidente do PS – sendo Carlos César candidato único à sua reeleição – bem como para a Mesa do Congresso, Comissão de Verificação de Poderes e Comissão de Honra.

Entre as 17:30 e as 19:30, numa iniciativa chamada “Portas Abertas”, decorrerão os cinco painéis temáticos, num hotel próximo dos trabalhos do Congresso, que decorre até domingo na Feira Internacional de Lisboa (FIL).

"Educação para todos numa sociedade de incertezas" (com Alberto Eduardo da Silva e Melo, Maria Emília Brederode Santos, Paulo Pedroso, Pedro Abrantes e Ana Maria Bettencourt), "Por uma política cultural para o Século XXI" (Vânia Rodrigues, Vítor Aleixo, Zia Soares e António Pinto Ribeiro), "Economia: crescimento com salários condignos" (Fortunato Frederico, Gonçalo Rebelo de Almeida, Virgílio Bento, José António Barros, Sandro Mendonça e João Galamba), "Governo de Esquerdas: a importância das alianças sociais e políticas" (André Freire e Tiago Fernandes) e "Quatro défices da sociedade portuguesa: a resposta socialista" (Luís Rothes, Francisca Oliveira, Maria Luísa Pinto e Ana Pinto) são os temas em discussão.

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A partir das 21:00, serão proclamados os resultados das eleições que decorreram à tarde, e os discursos começarão com o coordenador da concelhia de Lisboa, Duarte Cordeiro, e o presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa, Marcos Perestrello, atual secretário de Estado da Defesa Nacional.

O reeleito secretário-geral do PS vai dirigir-se aos congressistas pelas 22:00, logo depois da intervenção de Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República.

António Costa chega ao congresso da FIL ao fim de seis meses de governação com o apoio inédito de PCP e Bloco de Esquerda, e duas semanas depois de ter sido reeleito secretário-geral do PS com mais de 94% dos votos pelos militantes socialistas.

No plano interno, o secretário-geral do PS não enfrenta oposição organizada expressiva, apesar de ter tido um adversário nas "diretas".

A candidatura alternativa protagonizada por Daniel Adrião elegeu apenas 23 delegados num total de 1763 e obteve 2,73% dos votos para secretário-geral, mas não contestou a atual solução de Governo, colocando antes ênfase na reforma do sistema político e na revisão dos estatutos do PS.

As principais críticas ao Governo e à atual linha política do PS partiram do eurodeputado socialista Francisco Assis, considerando que o ímpeto reformista do executivo está "bloqueado" e "manietado" pelo "conservadorismo" do PCP e do Bloco de Esquerda, designadamente em todas as matérias relacionadas com o Estado social.

Se o deputado socialista Sérgio Sousa Pinto (outro dos críticos) identificou um pendor "sectário" na moção de estratégia da direção, Assis defendeu que as divergências com PCP e Bloco em matéria europeia são cruciais.

António Costa tem sustentado que os acordos de incidência parlamentar celebrados com Bloco, PCP e "Os Verdes" para a formação deste Governo estavam previstos na sua moção de estratégia ainda em vigor, que foi aprovada no congresso de novembro de 2014 por ampla maioria.

Salvo qualquer surpresa de última hora, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, deverá ser o único antigo secretário-geral do PS presente no congresso.