Por: Filipe Caetano / Catarina Pereira e Sara Marques | 28- 2- 2009 16: 22
O curto discurso de Ana Gomes no XVI Congresso Nacional do PS foi directo às suspeitas de corrupção e à desconfiança que
os portugueses têm pelos políticos.
«É urgente tomarmos medidas para terminar com esta democracia envenenada onde
se entende que toda a classe política é corrupta. O projecto de João Cravinho [dois projectos-lei para o combate à corrupção]
é inadiável, a lei penal tem de ser mais rigorosa para o enriquecimento ilícito», começou.
A eurodeputada considerou
que qualquer «político tem de provar o seu dinheiro limpo», porque «os portugueses sabem que as pessoas sérias não tem dificuldade
em fazer prova de onde vem o seu dinheiro».
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Neste sentido, Ana Gomes referiu-se (in)directamente ao caso
Freeport, apontada uma «campanha de ataque político e pessoal ao primeiro-ministro a pretexto de uma investigação judicial
de corrupção».
Por isso, a socialista defendeu que «enquanto não tivermos meios de punir a corrupção, a suspeita
paira sobre todos», criticando «o circo em que se transformou o segredo de justiça, sobretudo na fase de inquérito dos casos
mais mediáticos».
«Actuemos já. De outro modo, os culpados continuarão impunes. Persistirá a roubalheira e a desconfiança
nos políticos», prosseguiu.
Crise, offshore e o Tratado de Lisboa
Ana Gomes criticou ainda «as
soluções milagrosas para a crise» que os partidos «à nossa direita e à nossa esquerda» querem fazer crer que existem. «Não
bastam ao Governo as deduções fiscais, importa repensar o sistema tributário, o capital e controlar as offshore, os paraísos
fiscais que existem, incluindo na Madeira», disse, ouvindo o maior aplauso da tarde.
«Não podemos deixar de sentir
vergonha na desigualdade que existe em Portugal comparada com o resto da Europa. E quem mais sofre são as mulheres. Para além
do combate à violência doméstica, precisamos de inspecções, de polícias e tribunais com punições exemplares», continuou.
A
eurodeputada fez questão de terminar com uma referência ao Tratado de Lisboa, «sem o qual é mais custoso ultrapassar esta
crise global».
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