O primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho afirmou, esta quinta-feira, que espera que os líderes europeus concluam na sexta-feira a indigitação do candidato a presidente da Comissão Europeia, devendo a escolha recair sobre Jean-Claude Juncker.

Passos Coelho, que falava aos jornalistas à margem de uma cerimónia em La Couture, França, de homenagem aos soldados portugueses mortos na I Guerra Mundial, sublinhou a importância de o processo de substituição das instituições comunitárias decorra sem sobressaltos e de forma atempada, pois, face aos desafios que a Europa assim o exigem.

«A questão do processo não é muito relevante, o Conselho pode até fazer uma votação no sentido formal para confirmar a sua escolha. Mas o que seria importante era que saíssemos deste Conselho com a indigitação do candidato a presidente da Comissão, de modo a que o Parlamento Europeu, já em julho, pudesse proceder à sua eleição», afirmou.

Nesses termos, prosseguiu, «seria possível esperar que o colégio de comissários pudesse estar fixado até meados de outubro» e, nessa medida, «dentro do tempo normal», a atual Comissão liderada por José Manuel Durão Barroso, «pudesse vir a ser substituída por uma nova Comissão».

«Os desafios exigem uma substituição atempada das instituições que renovam os seus mandatos. Renovarão no entanto com uma diferente composição, e quanto mais depressa pudermos tê-la a funcionar com os seus novos membros, tanto melhor para todos», acrescentou.

Questionado sobre a eventualidade de a questão ser adiada, em busca de uma solução consensual - já que o Reino Unido continua a opor-se firmemente ao nome de Juncker -, Passos Coelho disse não encontrar razões para tal.

«O presidente do Conselho Europeu fez já um jantar informal, a seguir às eleições do Parlamento Europeu, no qual recebeu um mandato para encontrar um nome que pudesse vir a ser indigitado agora. Tanto quanto sei, não houve nenhum problema durante todo este processo que justificasse um adiamento. Portanto, não estou a contar com ele e espero, como referi, que o Conselho possa fazer a indigitação que todos aguardam e que, creio não surpreender, venha a recair sobre Jean-Claude Juncker», completou.

Os chefes de Estado e de Governo reúnem-se entre hoje e sexta-feira, numa cimeira que ficará marcada pela designação do candidato ao cargo de presidente da Comissão, que deverá depois receber o voto favorável da maioria do «novo» Parlamento Europeu.

A questão só será no entanto abordada formalmente na sexta-feira, sendo o primeiro dia do Conselho dedicado à efeméride e comemorações do início da I Guerra Mundial, realizando-se, de resto, o jantar de chefes de Estado e de Governo na localidade de Ypres, palco de algumas das batalhas mais sangrentas do conflito.